Em novembro participei do II Congresso Internacional de Envelhecimento Humano e observei a relação que existe entre estas duas linhas de conhecimento: a gerontologia é a ciência que estuda o envelhecimento e o Ayurveda é o conhecimento da saúde e da longevidade através do viver em harmonia com as leis da natureza. Durante o evento, realizado no estado da Paraíba, os profissionais enfatizaram a prática da atividade física
como forma de prevenção e promoção da saúde. Um dos profissionais comentou: “a melhor atividade física é aquela que agente faz”. Após os 40 anos nós perdemos 1% ou mais de massa óssea e muscular por ano e a melhor maneira evitar isto é através de exercícios regulares, orientados por um profissional, associados a dieta equilibrada e individualizada.

A gerontologia afirma que a única maneira de retardar o envelhecimento é através da restrição da dieta, ou seja, uma alimentação com moderação em calorias. O Ayurveda afirma que os excessos são prejudiciais e recomenda uma vida de disciplina e auto-controle.

Parece que disciplina e auto-controle são palavras quase que “pecaminosas” no século XXI. Se olharmos a mídia com atenção veremos que a propaganda vende a “realização de desejos e o aumento do prazer a qualquer custo”. Mas segundo a filosofia ayurvédica estes excessos não promovem felicidade duradoura, nesta visão oriental menos é mais, ou seja, viver com simplicidade e moderação é promover o equilíbrio e bem estar.

No Ayurveda encontramos o conceito de Rasayana que é a terapia que promove a prevenção do envelhecimento, aumenta o tempo de vida ( longevidade) e previne as doenças físicas e mentais. Na Índia vários medicamentos são utilizados com este fim : Amalaki ( Emblica oficinalis), Ashwagandha ( Withania somnífera), Shatavari ( Asparagus racemosus), Brahmi ( Bacopa monieri) e Tríphala ( as três frutas indianas). Estas plantas medicinais harmonizam a função hormonal, aumentam a energia vital, previnem a perda intelectual, melhoram o sistema imunológico, apresentam ação antioxidante ( combatem os
radicais livres) e promovem vitalidade física e mental.

Afirma-se que após os 40 anos mais de 50% dos homens apresentam disfunção erétil, ou seja, eles têm algum nível de dificuldade durante a relação sexual. Para isto o Ayurveda recomenda a terapia Vajikarana que promove a potência sexual, nutre os tecidos orgânicos, traz felicidade, beleza, força vital, nutrição e tambem pode auxiliar no tratamento das alterações sexuais. Alguns medicamentos são indicados: Noz moscada ( Myristica fragrans), leite orgânico da “vaca feliz”, semente de pó de mico ( Mucuna pruriens), Tribulus terrestris, Ashwagandha ( Withania somnífera) para o homem e Shatavari (Asparagus racemosus) para a mulher. Porem deve-se ter disciplina e auto-controle para utilizarmos este tipo de conduta terapêutica pois o objetivo aqui é o equilíbrio psico-físico.

O Ayurveda tem uma ótima indicação em geriatria ( ciência que trata as doenças do idoso), pois pode fazer o diagnóstico do desequilíbrio e depois indicar a conduta terapêutica de acordo com esta filosofia médica oriental. O ênfase aqui é a rotina diária de hábitos saudáveis sempre individualizada de acordo com a desarmonia vigente. Por último nunca deve-se esquecer que o mais importante é o fogo digestivo (agni), ou seja, a função gastro-intestinal pois a grande maioria das doenças inicia-se no tubo digestivo. Sem uma boa digestão e evacuação não alcançamos uma saúde adequada. Com este objetivo indica-se
as plantas medicinais, alimentação equilibrada e o uso terapêutico dos condimentos. A gerontologia e a Medicina Ayurvedica são complementares e devem dar as mãos para atingirmos qualidade de vida durante o processo natural do envelhecimento.

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