O Ayurveda, também chamado de Medicina Indiana, é um sistema de saúde que tem como pilar a individualização do tratamento através do diagnóstico do desequilíbrio do paciente. Nesta abordagem, a Medicina Ayurvedica, não trata a doença e sim o desequilíbrio psicofísico, a raiz da patologia.

O Ayurveda ensina que o nosso corpo físico é formado pelos cinco elementos básicos da natureza (em sânscrito, Panchamahabhutas); estes elementos são expressos em nossa fisiologia através dos humores biológicos ou doshas. Assim, Vata Dosha é formado por espaço (éter) e ar; Pitta Dosha por fogo e água e Kapha Dosha por água e terra. Estes humores biológicos ou Doshas, quando em excesso ou deficiência, geram sinais e sintomas de doenças.

O primeiro objetivo da Medicina Ayurvedica é diagnosticar o desequilíbrio do paciente com relação aos três doshas e a partir daí traçar uma conduta terapêutica para harmonizar estes humores. Dentro das possíveis ferramentas terapêuticas do Ayurveda destaca-se a fitoterapia (utilização das plantas medicinais.
Na rica fitoterapia ayurvédica cada planta medicinal possui quatro importantes propriedades: o sabor (rasa), o efeito pós-digestivo (vipaka), a energia (virya) e a potência especial (prabhava).

O Ayurveda afirma que existem seis sabores e cada um deles apresenta qualidades e propriedades medicinais importantes: doce (úmido, frio e pesado), ácido (úmido, quente e leve), salgado (úmido, quente e pesado), picante (seco, quente e leve), amargo (seco, frio e leve) e adstringente (seco, frio e pesado). Para dar um exemplo ilustrativo, se o paciente é obeso temos que utilizar plantas que possuem sabores leves ou seja ácido, picante e amargo e evitar as plantas de sabores pesados como doce, salgado e adstringente.

O efeito pós-digestivo, vipaka, é o que surge após a digestão das plantas medicinais. Segundo Caraka, existem apenas três a partir dos seis sabores: os sabores doce e salgado têm um efeito pós-digetivo doce, o sabor ácido apresenta após a digestão o mesmo sabor, ou seja, ácido e os sabores picante, amargo e adstringente tornam-se picantes após a digestão.

A terceira propriedade é a energia da planta medicinal, virya, que é a potência pela qual a ação do medicamento acontece. Virya literalmente quer dizer vigor, uma vez que uma planta sem vigor não apresenta propriedade medicinal. Classicamente a energia dos fitoterápicos é dividida em amornante (yang na Medicina Chinesa) e refrescante (yin na tradição chinesa).

Por último temos a chamada potência especial ou prabhava, que ocorre quando duas drogas vegetais têm sabor, energia e efeito pós-digestivo similares, porém diferem em ação terapêutica, pois algumas substâncias têm propriedades especiais. Por exemplo, o mel tem sabor doce, mas não agrava a obesidade (aumento de Kapha no Ayurveda) quando utilizado dentro dos conceitos ayurvédicos.

Quando os médicos indianos prescrevem a fitoterapia estas quatro propriedades são levadas em conta. Normalmente as plantas medicinais são utilizadas na forma de fitocomplexos, ou seja, fórmulas com três a 10 plantas, às vezes mais, valendo-se do efeito sinérgico e complementar entre as várias plantas onde o todo é maior que a soma das partes.

A fitoterapia é exatamente onde a Índia e o Brasil se encontram pois, segundo pesquisas do nosso professor Dr. Chowdhury Gullapalli, médico indiano que vem ao Brasil desde 1989, cerca de 80% das plantas medicinais encontradas no sub-continente indiano existem no Brasil e podem ser utilizadas de acordo com a milenar tradição ayurvédica. Podemos citar como exemplo uso terapêutico dos condimentos como cravo, canela, gengibre, noz moscada, coentro, cominho, hortelã.

O Ayurveda é um verdadeiro tesouro que possui muitas jóias escondidas. Todas as pessoas podem se beneficiar desta sabedoria milenar que ensina um estilo de vida baseado em hábitos saudáveis e que, acima de tudo, possui uma filosofia que leva ao auto-conhecimento; como dizia o oráculo de Delphos, na antiga Grécia, aos viajantes: “Conhece-te a ti mesmo que conhecerás o Universo e os Deuses”.

Últimos posts por Aderson Moreira da Rocha (exibir todos)