Para fazer a seleção dos alimentos que serão favoráveis a esta ou àquela constituição, alguns aspectos devem ser levados em conta: suas características naturais, o modo de preparo e a quantidade a ser ingerida, como combinar estes alimentos, o clima e, obviamente, a própria constituição da pessoa que come. A tradição ayurvédica diz que só é possível construir tecidos saudáveis a partir de alimentos saudáveis. Para isso teríamos que ter nosso próprio cultivo de alimentos, o que é impossível hoje em dia! Assim, o papel de quem cozinha ganha uma poética importância: como um alquimista, o cozinheiro deve extrair a essência dos alimentos, transmitindo a eles o seu amor, que será absorvido energeticamente por quem come.

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O Ayurveda ensina que cada ser humano tem a capacidade de curar a si mesmo e manter a sua saúde através de uma alimentação equilibrada e de uma rotina diária com hábitos saudáveis. Um antigo ditado diz que nós somos o que comemos; o Ayurveda poderia ir um pouco mais além dizendo nós somos o que conseguimos digerir, já que nem tudo o que comemos consegue ser metabolizado de maneira adequada para ser posteriormente incorporado às nossas células corporais. Esta colocação confere uma grande importância à capacidade digestiva de cada um; a qualidade digestiva, ou seja, o força do Agni (fogo digestivo) reflete a saúde de uma pessoa, segundo o Ayurveda.

Daí a importância de sermos seletivos, de estarmos atentos ao que comemos, como, quanto e porque comemos: o simples ato de controlar nossa alimentação nos proporciona a disciplina necessária para controlar muitos outros aspectos de nosso comportamento.

A Medicina Ayurvédica recomenda uma dieta individualizada de acordo com a constituição básica de cada ser humano. Na Índia, é tradicional o jejum 2 vezes por mês para todas as pessoas, às vezes até uma vez por semana, e consiste em passar um dia apenas com um tipo de alimento ou bebida, ou somente a água. O jejum um meio de purificar o corpo, oferecer descanso aos órgãos digestivos, restaurar o paladar e ajudar a controlar o vício por determinados alimentos.
Os Seis Sabores
“O elemento Água é a base para a experiência sensorial do paladar; a língua precisa estar molhada para sentir o sabor de uma substância.”

Dr. Vasant Lad
Existem seis sabores: doce, ácido, amargo, salgado, picante e adstringente. O sabor doce contém os elementos Terra e Água; o ácido, Terra e Fogo; o salgado, Água e Fogo. O sabor picante contém Fogo e Ar; a amargo, Ar e Éter e o adstringente, Ar e Terra.

O sabor é uma qualidade de toda substância. Cada substância pode ter um ou mais sabores, que se tornam conhecidos quando a substância é colocada na língua. O primeiro sabor claramente identificado é conhecido como sabor primário e os restantes, reconhecidos mais tarde, são secundários, em geral mais suaves.
Doce, ácido e salgado são sabores que diminuem Vata e aumentam Kapha.
Picante, amargo e adstringente diminuem Kapha e aumentam Vata.
Ácido, salgado e picante aumentam Pitta.
Doce, amargo e adstringente diminuem Pitta.
Com o sentido do gosto, nós interagimos com os alimentos que comemos. Cada gosto ou sabor afeta o corpo e a mente de formas diferentes. Cada um deles tem seus benefícios e até malefícios, se utilizados em excesso. O sabor doce, por exemplo, é muito nutritivo, constrói os tecidos, aumenta a força, mas quando em excesso leva ao ganho excessivo de peso, à preguiça mental, ao diabetes e outras complicações.

Em Ayurveda nós não contamos calorias, gramas de gordura ou índice de colesterol do alimento. Numa perspectiva ayurvédica devemos aprender quais sabores são bons pra nós, assim poderemos comer alimentos que estejam em harmonia com nossa constituição e o corpo responderá com saúde. Alguns se beneficiam do alimento quente e condimentado, enquanto outros se sentem melhor com uma alimentação mas leve e fria. Há pessoas que beneficiam-se da carne, enquanto outras produzem melhor sendo vegetarianas. O mais importante de tudo é saber identificar, de acordo com nossa natureza básica, que tipo de alimento devemos comer e quais devemos evitar, para manter o equilíbrio em nossa saúde.

Basicamente, o Ayurveda é uma medicina preventiva, embora seja também curativa. O Ayurveda ensina, através de sua sabedoria simples, como aperfeiçoar nossa natureza original, sendo possível para qualquer pessoa adquirir o conhecimento prático para se manter saudável.

Aderson Moreira da Rocha

Médico de família, reumatologista, acupunturista e especialista em Ayurveda pelo Arya Vaidya Phramacy, tradicional escola de Ayurveda do sul da Índia. Mestre e doutor em Saúde Coletiva pelo Instituto de Medicina Social da UERJ, presidente da Associação Brasileira de Ayurveda e autor do livro “ A Tradição do Ayurveda” pela editora Águia Dourada.

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