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A prática e a filosofia do Ayurveda são úteis não apenas para restaurar o equilíbrio do corpo, mas também do espírito. Assim como podemos identificar nossos doshas predominantes (Vata, Pitta e Kapha) e cultivar hábitos coerentes com nossas necessidades, devemos reconhecer os nossos padrões mentais, que vão determinar a maneira como percebemos e respondemos ao estímulos externos.

Tais padrões são chamados de Gunas e representariam nossas tendências mentais: Sattva, Rajas e Tamas.  Uma mente com predominância de Sattva, o princípio do contentamento, da paz e da harmonia, é mais pura, mais positiva e alegre. É típica de pessoas sensíveis e perceptivas. O predomínio de Rajas, princípio da energia, gera movimento, mudança, emoção e desequilíbrio. Uma pessoa com mente rajásica em geral é irritadiça, passional, agitada e dominadora. Tamas é o princípio da inércia; em excesso na mente gera pessoas rígidas, depressivas e resistentes à mudança. Estas três enrgias coexistem dentro de nós e devemos reconhecê-las para sermos capazes de preservar seu equilíbrio. Para vivermos de maneira harmoniosa, deve-se ter Sattva predominante, com pitadas de Rajas e Tamas que tragam movimento e descanso na medida certa. O Ayurveda ensina que somos responsáveis por nossa saúde e como sermos seletivos em relação ao alimento, aos pensamentos e às ações. Técnicas respiratórias, ásanas e meditação são alguns dos recursos deste milenar sistema de saúde indiano que nos ajudam a equilibrar os Gunas e a viver de maneira mais prazeiroza e plena, mais calmos e integrados com a nossa própria natureza.

 

 

 

 

No mês de setembro passei 4 semanas na  Gujarat Ayurved University em Jamnagar, noroeste do subcontinente indiano,  estudando Ayurveda, praticando Yoga e meditação. Um dos destaques foram as aulas de Pancha Karma com a dra Rajkala MD e PhD em Ayurveda, médica do Kerala especialista nesta metodologia de bio-purificação do corpo das suas impurezas. Na última semana do curso eu descobri que ela era discípula de uma mestra de meditação e solicitei um encontro para conversarmos sobre sua metodologia de introspecção e autoconhecimento. A minha professora foi muito solicita e marcou o encontro para a ultima noite do curso, antes de viajarmos. Ela disse: “ vamos chamar um auto-rikshaw ( tuc-tuc) ? Quantos alunos irão com você ? respondi : “ apenas eu, os outros brasileiros não podem ir pois tem outras atividades…” Ah então sobe ai na minha garupa e vamos com a minha moto..”. ela gritou, “mas professora na sua garupa?, Reclamei. “Sim, isto mesmo, assim chegamos rapidamente.” OK, respondi, muito a contra gosto subi na moto e ela partiu em alta velocidade pelas ruas estreitas de Jamnagar. Neste momento parece que “caiu a ficha”…”uma mulher casada e com filhos no estado mais tradicional da Índia, com um ocidental na garupa de sua moto em altíssima velocidade” pensei com meus botões, no mínimo serei preso por “atentado ao pudor e aos bons costumes” ou talvez sejamos atropelados por um caminhão ou ônibus desgovernado, me encolhi o máximo que pude e agarrei o banco da moto atrás de mim…

Mas como dizem na Índia: “existem 300 milhões de deuses que protegem os indianos e por que não os ocidentais desavisados…” em 15 minutos, meu medo chegou ao fim,  estávamos chegando ao edifício da mestra, que era simples e com apartamentos pequenos mas confortáveis. Subimos alguns lances de escada e tocamos a campainha. A porta foi aberta por uma senhora de cabelos grisalhos, simpática, com um semblante pacifico e olhar profundo e inquiridor. Olhei a pequena mas simpática sala, havia fotos de vários mestres indianos mas se destacava uma bela imagem de Buda, Ela sentou na minha frente e perguntou: “ por que você ficou interessado em me conhecer ?”respondi de forma sincera que estava escrevendo sobre minhas experiências na Índia e tinha ouvido falar bem do seu trabalho, ao ouvir isto ela rapidamente afirmou “Ah, então eu sou apenas mais um dado estatístico para sua pesquisa ?”  Nossa! Fiquei desconcertadamente sem palavras…a primeira coisa que saiu foi um pedido de desculpas e a afirmação que estava realmente interessado em meditação.

Após o qüiproquó inicial, rapidamente, perguntei sobre sua história de vida e Indumathi, este era o nome dela, pacientemente me contou: “ desde pequena tenho interesse em religião e espiritualidade, meu avô era devoto de Krishna e me ensinou sobre o hinduísmo. Quando eu tinha 17 anos participei de um workshop com o famoso mestre Osho, estive com ele pessoalmente mas pude ver que aquilo não era “ minha xícara de chá”. Mais tarde fui aluna de um professor da linha de Yoga de Sri Aurobindo, não tive identificação e senti que também não era a “ minha xícara de chá”. Muitos anos depois eu era diretora da faculdade de educação de Jamnagar e passei por um estresse enorme ao tentarem me envolver em uma tramoia de corrupção. Eu tinha dores de cabeça insuportáveis, insônia, medo, raiva, ansiedade e irritabilidade. Isto já durava cerca de dois meses, procurei um psiquiatra mas acabei não fazendo o tratamento pois queria algo mais natural. Terminei no consultório de um naturopata ( médico naturalista), durante a conversa ele tinha um olhar que parecia que via através do meu corpo, no final me recomendou um retiro de meditação por 10 dias. Eu topei pois estava me sentindo muito mal. Ao chegar no retiro imaginei que todos deveriam ser pacientes do médico, quando fui a minha primeira entrevista somente falava das minhas mazelas e o instrutor estava apenas interessado na minha prática de meditação. Foi ai que “ caiu a ficha”: descobri que as pessoas ali não eram doentes mas meditadores da técnica de Vipassana. Durante aqueles 10 dias fui assídua na introspecção e terminei a reclusão completamente curada dos meus sintomas que nunca mais voltaram. Nossa! Finalmente encontrei a “minha xícara de chá”…

“Este primeiro retiro aconteceu em 1997, nunca mais deixei de praticar assiduamente e um dia li no boletim local de Vipassana que eu tinha sido indicada para instrutora do método pelos outros professores. Fiquei muito surpresa pois não tinha solicitado nenhuma indicação mas acabei aceitando e foi assim que me tornei um professora de meditação. Esta pratica foi ensinada há muitas centenas de anos atrás pelo próprio Buda mas foi re-introduzida na Índia moderna pelo birmanes S. N. Goenka em 1969, proveniente de uma linhagem de professores budistas de meditação Vipassana da Birmânia ( atualmente denominado Mianmar).” A mestra me causou uma boa impressão: uma pessoa simples, solteira, modesta, carismática e totalmente dedicada a meditação e a musica pois também é professora de citara ( instrumento musical de cordas).

Eu aprendi que uma técnica utilizada no Vipassana é tomar consciência da respiração. A respiração é um objeto de atenção que esta disponível a todos. Experimente isto agora: Sente-se confortavelmente em um quarto silencioso, com a coluna ereta, feche os olhos e apenas observe sua respiração. Sem tentar controlar, como se você estivesse observando a respiração de outra pessoa, ou então, como se estivesse em uma praia deserta olhando para as ondas do mar, indo e voltando, ou seja, uma observação totalmente passiva. Se vierem pensamentos, emoções ou sensações, lentamente e pacientemente volte a observar o ar entrando e saindo pelas narinas. Este método é simples e pode ser praticado por qualquer pessoa e não deve causar nenhuma tensão. Tente praticar diariamente, no mesmo horário, por pelo menos 15 minutos.

A nossa mente passa a maior parte do tempo perdida em fantasias e ilusões, revivendo experiências prazerosas ou dolorosas ou antecipando o futuro com ansiedades ou medos. Com isto nós perdemos a percepção daquilo que está acontecendo no agora, porem o momento presente é o mais importante. Nós não podemos viver no passado ele já foi, nem podemos vivenciar o futuro pois está alem do nosso alcance. Nós somente podemos viver no presente e esta técnica de Vipassana, que nos leva a tomar consciência da nossa respiração, ajuda a manter a nossa mente no eterno presente, o aqui e agora. Este é o momento da nossa transformação através do autoconhecimento. Após uma conversa inspiradora de cerca de 2 horas a mestra olhou profundamente nos meus olhos e afirmou: “ eu vejo que você tem potencial… agora eu prevejo que você irá se tornar instrutor de meditação…”

O açafrão ou Cúrcuma é uma planta medicinal que cresce nos países tropicais com características singulares, chega a 90 cm. de altura, apresenta um caule alongado e folhas grandes com 30 a 40 cm de comprimento, os belos rizomas medicinais se destacam, quando a erva é retirada do solo, com uma cor alaranjada, formato cilíndrico e 2 a 6 cm de comprimento. Possui uma mistura dos sabores amargo e picante, sua fragrância é aromática e temperada.  Em sânscrito é chamada de haridra que significa aquela que melhora a compleição da pele  pois tem ótimos resultados em dermatologia. A planta medicinal tem uma poderosa ação antioxidante e depuradora. Destaca-se na culinária indiana e nos festivais hindus há muitas centenas de anos.

Um importante principio ativo da Cúrcuma é a curcumina que não é facilmente absorvido pelo organismo porem a piperina encontrada na pimenta do reino facilita a sua absorção..Tanto o açafrão como a pimenta do reino estão presentes nas misturas do curry em pó e estudos realizados por epidemiologistas indicam que na Índia, onde o curry é muito utilizado na dieta cotidiana, as taxas de doença de Alzheimer estão entre as mais baixas do planeta. A hipótese dos pesquisadores é que as propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias presentes nas misturas de condimentos com cúrcuma e pimenta do reino são fatores relevantes na prevenção do Alzheimer. Por esta razão, a curcumina, tem sido utilizada nas pesquisas cientificas realizadas nesta doença, cada vez mais comum no ocidente.

Nos últimos anos mais de 300 artigos científicos mencionam a curcumina, segundo estas pesquisas, este principio ativo do açafrão, e seus compostos relacionados, os chamados curcuminoides,  apresentam as seguintes propriedades: antioxidante, anti-inflamatória, antiviral, antifúngica, antisséptica, com atividade contra Alzheimer, Parkinson, câncer, diabetes, alergias, artrites, auxilia no tratamento do aumento do colesterol, doenças autoimunes e cardiovasculares. O Centro de Câncer M.D. Anderson da Universidade do Texas, líder mundial em pesquisas sobre a doença, recomenda que os pacientes  adotem, de forma gradual, uma dose de 8 gramas de curcumina ao dia, o que é cerca de 40 vezes a quantidade presente na dieta indiana.  O pesquisador

indiano Bharat Aggarwal, do M.D. Anderson, foi questionado por possíveis efeitos colaterais, e declarou que ensaios clínicos menores, de outras instituições, ministram até 12 gramas e se houvesse qualquer efeito desfavorável os pacientes teriam notado.

O médico indiano Deepak Chopra no seu recente livro “ Você Tem Fome De Quê ?” coloca alguns importantes usos e efeitos terapêuticos da planta medicinal: A Cúrcuma tem efeito protetor sobre o fígado e ajuda a reduzir os níveis de colesterol elevado no sangue, já nos tratamentos de artrite ajuda a diminuir a dor e rigidez, porem estudos em animais demonstrou que o açafrão pode diminuir ou inibir o desenvolvimento de células cancerígenas, apresenta efeito calmante na digestão e reduz o risco de ulceras e por ultimo, como antibiótico natural, ele pode inibir o desenvolvimento de bactérias, leveduras e vírus em laboratório. ( ver Chopra, Você Tem Fome De Que ?, p. 127).

Uma planta medicinal para ser utilizada no Ayurveda deve, necessariamente, ser interpretada pela farmacologia indiana ou Dravya Guna. Nesta ciência, o açafrão, tem sabores amargo, picante e adstringente, potencia quente, equilibra os 3 Doshas ( humores biológicos) e beneficia todos os tecidos. Apresenta as seguintes ações: digestivo, anti-inflamatório, depurador do sangue, antibiótico, antialérgico, anti-anemico, anti-diabético, hepatoprotetor, remove doenças de pele, beneficia a mama, anti-tumoral, trata doenças respiratórias, antioxidante, melhora o fogo digestivo ( jatharagni) e beneficia a função ginecológica.

Devido as suas importantes propriedades apresenta as seguintes indicações na Medicina Ayurvedica: distúrbios do fígado, reumatismo, doenças de pele, diabetes, anemia, gastrite, endometriose, corrimento, colite, asma, bronquite e aumento do colesterol no sangue. Externamente é usado em dermatites, eczemas e psoríase. Na Europa foi aprovado pela comissão E alemã nos seguintes distúrbios: dispepsia ( má digestão) e perda de apetite. A dose diária é de 1 a 3 gramas do pó seco, que pode ser misturado no mel ou fervido no leite orgânico ( leite medicado). Porem seu uso deve ser evitado na gravidez, agravação importante do dosha Pitta ( fogo) e obstrução biliar.

A mensagem do Ayurveda é que podemos utilizar o poder terapêutico dos condimentos, como açafrão, gengibre, alho, canela, noz moscada, hortelã, coentro e cominho para melhorar nossa digestão e absorção dos alimentos, prevenir a formação de toxinas no tubo digestivo ou Ama e beneficiar a nossa saúde como um todo. A sabedoria ayurvedica recomenda o uso dos 6 sabores na dieta e podemos alcançar esta meta utilizando os temperos, de forma moderada, em um programa de alimentação natural e saudável ao fazermos escolhas mais simples e inteligentes.

O Reumatismo ou doença reumatológica envolve mais de 100 doenças na medicina ocidental. Segundo a escola americana de Reumatologia podemos classificar o reumatismo da seguinte forma:

1- Doenças do Colágeno ou auto-imunes: ex. Artrite Reumatóide e Lupus Eritematoso
2- Artrites associadas a espondilites: ex. artrite da Psoríase
3- Reumatismo degenerativo: ex. Artrose
4- Artrites infecciosas
5- Doenças endócrinas e metabólicas: ex. Gota
6- Alterações ósseas: ex. Osteoporose
7- Reumatismo de tecidos moles: ex. Bursite, Tendinite e Fibromialgia

Apesar de serem muitas doenças na visão ocidental o Ayurveda classifica o reumatismo em 3 tipos: Reumatismo do tipo Vata com muitas dores articulares que podem ser migratórias, pioram com o frio e melhoram com o calor. Neste caso o paciente apresenta pele seca e creptações nas articulações, ansiedade, depressão e insônia. Reumatismo do tipo Pitta com muita inflamação, vermelhidão, sensação de queimação, febre e sudorese, piora com o calor e melhora com o frio e irritabilidade. Por último o reumatismo do tipo Kapha, com edema, inchaço, dor em peso que melhora com calor e piora com o frio e umidade, pele oleosa, fadiga e tendência a ganhar peso com facilidade.

O Ayurveda afirma que as doenças reumatológicas estão associadas a acúmulo de AMA ou toxinas devido a alterações digestivas e constipação. Neste caso temos que enfatizar a importância de uma alimentação equilibrada e individualizada de acordo com o diagnóstico da desarmonia do paciente. Uma dieta rica em alimentos de origem animal como leite e derivados, carnes e gorduras pode provocar o acúmulo de AMA, com a formação de alterações músculo-esqueléticas que chamamos de reumatismo.

Associado a uma dieta equilibrada recomendamos a fitoterapia, uso terapêutico das plantas medicinais. O Ayurveda possui muitas ervas com propriedades analgésicas e antiinflamatórias como a Commíphora mukul e a Boswellia serrata.

A massoterapia ayurvedica é uma excelente ferramenta terapêutica no paciente com reumatismo. Pois promove um profundo relaxamento, que alivia as tensões associadas a
Doença, reduz a fadiga, ansiedade e depressão que são prevalentes nestas alterações. No Ayurveda a escolha do óleo medicinal é fundamental pois será feita de acordo com o diagnóstico do desequilíbrio de Vata, Pitta ou Kapha no momento do tratamento.

O tratamento com sucesso das doenças reumatológicas necessita de uma transformação,com uma rotina diária, individualizada, de hábitos saudáveis que propõe uma mudança no padrão mental do paciente,com a prática regular e bem orientada de Hatha Yoga e meditação.

Em novembro participei do II Congresso Internacional de Envelhecimento Humano e observei a relação que existe entre estas duas linhas de conhecimento: a gerontologia é a ciência que estuda o envelhecimento e o Ayurveda é o conhecimento da saúde e da longevidade através do viver em harmonia com as leis da natureza. Durante o evento, realizado no estado da Paraíba, os profissionais enfatizaram a prática da atividade física
como forma de prevenção e promoção da saúde. Um dos profissionais comentou: “a melhor atividade física é aquela que agente faz”. Após os 40 anos nós perdemos 1% ou mais de massa óssea e muscular por ano e a melhor maneira evitar isto é através de exercícios regulares, orientados por um profissional, associados a dieta equilibrada e individualizada.

A gerontologia afirma que a única maneira de retardar o envelhecimento é através da restrição da dieta, ou seja, uma alimentação com moderação em calorias. O Ayurveda afirma que os excessos são prejudiciais e recomenda uma vida de disciplina e auto-controle.

Parece que disciplina e auto-controle são palavras quase que “pecaminosas” no século XXI. Se olharmos a mídia com atenção veremos que a propaganda vende a “realização de desejos e o aumento do prazer a qualquer custo”. Mas segundo a filosofia ayurvédica estes excessos não promovem felicidade duradoura, nesta visão oriental menos é mais, ou seja, viver com simplicidade e moderação é promover o equilíbrio e bem estar.

No Ayurveda encontramos o conceito de Rasayana que é a terapia que promove a prevenção do envelhecimento, aumenta o tempo de vida ( longevidade) e previne as doenças físicas e mentais. Na Índia vários medicamentos são utilizados com este fim : Amalaki ( Emblica oficinalis), Ashwagandha ( Withania somnífera), Shatavari ( Asparagus racemosus), Brahmi ( Bacopa monieri) e Tríphala ( as três frutas indianas). Estas plantas medicinais harmonizam a função hormonal, aumentam a energia vital, previnem a perda intelectual, melhoram o sistema imunológico, apresentam ação antioxidante ( combatem os
radicais livres) e promovem vitalidade física e mental.

Afirma-se que após os 40 anos mais de 50% dos homens apresentam disfunção erétil, ou seja, eles têm algum nível de dificuldade durante a relação sexual. Para isto o Ayurveda recomenda a terapia Vajikarana que promove a potência sexual, nutre os tecidos orgânicos, traz felicidade, beleza, força vital, nutrição e tambem pode auxiliar no tratamento das alterações sexuais. Alguns medicamentos são indicados: Noz moscada ( Myristica fragrans), leite orgânico da “vaca feliz”, semente de pó de mico ( Mucuna pruriens), Tribulus terrestris, Ashwagandha ( Withania somnífera) para o homem e Shatavari (Asparagus racemosus) para a mulher. Porem deve-se ter disciplina e auto-controle para utilizarmos este tipo de conduta terapêutica pois o objetivo aqui é o equilíbrio psico-físico.

O Ayurveda tem uma ótima indicação em geriatria ( ciência que trata as doenças do idoso), pois pode fazer o diagnóstico do desequilíbrio e depois indicar a conduta terapêutica de acordo com esta filosofia médica oriental. O ênfase aqui é a rotina diária de hábitos saudáveis sempre individualizada de acordo com a desarmonia vigente. Por último nunca deve-se esquecer que o mais importante é o fogo digestivo (agni), ou seja, a função gastro-intestinal pois a grande maioria das doenças inicia-se no tubo digestivo. Sem uma boa digestão e evacuação não alcançamos uma saúde adequada. Com este objetivo indica-se
as plantas medicinais, alimentação equilibrada e o uso terapêutico dos condimentos. A gerontologia e a Medicina Ayurvedica são complementares e devem dar as mãos para atingirmos qualidade de vida durante o processo natural do envelhecimento.

Dicas do Ayurveda para o Outono

O verão acabou e o calor e a umidade deram lugar a um clima mais frio e, principalmente, seco – o outono. Em nosso país esta estação não é tão marcada quanto o verão, mas tem características peculiares que pedem alguns cuidados. O outono, de acordo com o Ayurveda, é uma estação Vata (predomínio do elemento ar) e pessoas com este tipo de constituição são as que mais devem se cuidar. Mas porque afinal isto é tão importante?

Segundo a sabedoria indiana, nós somos parte da natureza e com ela interagimos a todo momento. Nosso corpo responde de modo individual às variações de temperaturas do ambiente. Por exemplo: podemos ver que num dado local numa mesma hora do dia, algumas pessoas – mais calorentas (tipo Pitta – fogo) – estarão vestindo roupas cavadas, como shorts e camisetas, outras se sentirão melhor com um casaquinho leve e calça comprida – pessoas mais friorentas (tipos Vata – ar e Kapha – água). Isso ocorre porque a constituição natural de cada uma dessas pessoas é diferente, assim “sentem” as condições externas de maneira particular.

As pessoas do tipo Vata são naturalmente mais magras e friorentas; têm tendência a ficar com a pele seca e áspera, o que pode ficar bem evidente no outono e piorar no inverno, estação ainda mais fria e mais seca. A transição entre verão e outono promove mudanças que causam mais impacto em pessoas com esta natureza. Prisão de ventre, insônia, aumento da ansiedade, dor de cabeça e resfriados sucessivos são alguns dos sinais que mostram que aquelas pessoas com natureza mais Vata estão em desequilíbrio. O que fazer então para prevenir ou reequilibrar?

Se você é do tipo Vata, sabe que tem como principais elementos o ar e o éter. Esse predomínio gera em seu corpo características como leveza, frio e secura. Então, o que se tem a fazer é, em primeiro lugar, rever a alimentação, que deve passar a ser mais nutritiva, quente e úmida. Essas qualidades opõem-se às que existem naturalmente em você e que podem, por causa do clima frio e seco, agravar-se e gerar desequilíbrios. Os alimentos devem ser de preferência cozidos, grelhados ou assados, evitando-se sempre que possível os crus. Os sabores doce (frutas, arroz, carnes, leite), salgado (sal e frutos do mar) e ácido (queijos, frutas cítricas) são altamente benéficos e devem ser priorizados. Deve-se diminuir (não eliminar) a ingestão de alimentos com sabor picante (condimentos), amargo (verduras cruas) e adstringente (tofu, feijões, ervilhas, caju, caqui). Cominho, gengibre, canela, sal, cravo, mostarda e pequena quantidade de pimenta são aceitáveis e combatem o frio. O sol também é um excelente aliado: além de fonte de calor, promove alegria – o que é particularmente bom para pessoas de natureza Vata, que tendem à depressão quando em desequilíbrio.

As sementes (amêndoas, nozes, castanhas) podem ser consumidas nos intervalos das refeições; são altamente nutritivas.

Os chás – erva doce, camomila, canela, gengibre – são bem-vindos e poderão ser consumidos ao longo do dia, de preferência mornos, com mel e limão. Deve-se tomar bastante líquido ao longo do dia para combater a secura.

As pessoas do tipo Vata beneficiam-se enormente da massagem ayurvédica, que utiliza óleos vegetais adequados à cada constituição. Antes de dormir, uma boa massagem nas plantas dos pés fará com que o sono torne-se mais profundo, além de atenuar estados de ansiedade.

Visitei a Índia em 1991 quando estive nos ashrams de Paramahansa Yogananda, autor do belíssimo livro Autobiografia de um Iogue, praticando meditação,16 anos depois retorno ao subcontinente indiano com o objetivo de estudar Ayurveda. Hoje a Índia é um país diferente daquele que encontrei no inicio dos anos 90, com mais de 1 bilhão de habitantes, uma economia emergente crescendo 8% ao ano, tornou-se um ícone da era digital e da tecnologia da informação para ao países em desenvolvimento.

Estou na Gujarat Ayurved University, maior centro de ensino e pesquisa da Medicina Ayurvedica do planeta, com o objetivo de passar 4 meses estudando para a minha tese de doutorado no Instituto de Medicina Social da UERJ. Aqui, no enorme campus, existem 6 institutos distintos que fazem parte do complexo universitário com as várias disciplinas relacionadas a tradição Hindu.

O Shri Gulabkunverba Ayurved Mahavidyalaya é uma faculdade de graduação em Ayurveda fundada em 1946 e oferece o B.A.M.S., ou seja, o Bacharelado em Medicina Ayurvedica e Cirurgia que dura 5 anos e meio. Esta escola possui um hospital com 105 leitos para pacientes internados onde todos os tratamentos são feitos com as ferramentas terapêuticas da Medicina Indiana, incluindo os medicamentos produzidos dentro da Universidade.

O Institute of Pos Graduate Teaching and Research in Ayurveda foi fundado em 1956, totalmente financiado pelo governo da Índia, oferece 2 cursos de pós-graduação: o Medical Doctor in Ayurveda com extensão de 3 anos e o PHD ( doutorado em Medicina Ayurvedica) com duração de 2 anos. Cerca e 1200 teses de pós-graduação foram realizadas em 13 especialidades distintas da Medicina Indiana.

Eu me matriculei no Patanjali Institute for Yoga and Naturopathy Education para fazer um curso de Hatha Yoga de 3 meses. Toda manhã praticamos Hatha Yoga e a tarde temos aulas teóricas com o estudo dos textos clássicos da tradição Hindu. Aos sábados as 6:30 da manhã fazemos as Kriyas, purificações com jalaneti e vamana ( limpeza das fossas nasais e vômito terapêutico). Este instituto forma profissionais na área de Yoga e Naturopatia ( terapias naturais) desde 1982, inclusive com curso de pós-graduação para profissionais da área da saúde.

Em 1999 foi fundado o Institute of Ayurvedic Pharmaceutical Science com graduação e mestrado em farmacia Ayurvedica. Neste mesmo ano foi criado o Institute of Ayurvedic Medicinal Plant Science, com o objetivo de fazer pesquisas em Fitoterapia. Este centro de ensino oferece um mestrado em ciência das plantas medicinais com duração de 2 anos para profissionais da área de botânica, farmácia, agricultura e Ayurveda.

Devido ao grande interesse dos estudantes estrangeiros na tradição do Ayurveda, foi criado o International Center for Ayurvedic Studies, onde freqüento as aulas sobre a Medicina Ayurvedica diariamente em inglês indiano ( as vezes literalmente impossível de entender). Este centro de ensino da Medicina Indiana oferece vários cursos, de curta duração, para estrangeiros em língua inglesa. Convido a todos os interessados na tradição Hindu a entrarem no nosso site.

Literatura obrigatória durante o curso de formação em Ayurveda  

1.     A Tradição do Ayurveda, Aderson Moreira da Rocha. Ed. Águia Dourada

2.     Autobiografia de um Iogue, Paramahansa Yogananda. Ed. Self-Realization Fellowship

3.     Ayurveda, Saúde e Longevidade na Tradição Milenar da Índia, Danilo Maciel Carneiro. Ed. Pensamento

4.     Ayurveda, Ciência da Auto-Cura, Vasant Lad. Ed. Ground

5.     Ayurveda: A Medicina Indiana que promove a saúde integral, Vinod Verma. Ed. Nova Era.

6.     Saúde Perfeita, Deepak Chopra. Ed. Best Seller

7.     O Guia Deepak Choppra de Ervas, Deepak Chopra e David Simon. Ed. Campus

8.     Meditação para Leigos Stephan Bodian, ed. Alta Books editora

9.     Guia Completo de Fitoterapia, Anne McIntyre. Ed. Pensamento.

10.   Manual de Massagem Ayurvedica, Harish Johari. Ed. Ground

Literatura Complementar:

1.     Medicina Ayurvedica para Mulher, Atreya. Ed. Pensamento

2.     Se o meu médico diz que estou bem por que me sito tão mal? Margareth Smith Peet e Shoshana Zimmerman. Ed. Butterfly

3.     Energia Vital, David Simon. Ed. Campus

4.     Em Busca do Buda da medicina, David Crow. Ed. Pensamento

5.     Plantas Medicinais no Brasil, nativas e exóticas, Harri Lorenzi e Abreu Mattos. Instituto Plantarum

6.     Fitoretapia Contemporânea, tradição e ciência na prática clínica, Glaucia de Azevedo Saad e outros autores, ed. Elsevier

7.     O Segredo da Saúde e da Longevidade. Krishan Chopra. Ed. Ouro.

8.     O Melhor Guia Para a Meditação, Victor N Davich. Ed. Pensamento

9.     A Arte da Meditação, Daniel Goleman. Ed. Sextante

10.   A Visão Ayurvedica da Mente, David Frawley. Ed. Pensamento

11.   O Caminho da Prática, Maya Tiwari. Ed. Rocco

12.   A Eterna Busca do Homem, Paramahansa Yogananda. Self Realization Fellowship

13.   Anticâncer, Prevenir e Vencer usando nossas defesas naturais, David Servan Schreiber. Ed. Fontanar.

14.   Comentários Sobre o Viver, Krishnamurti. Ed. Nova Era

15.   Os Ensinamentos de Ramana Maharishi em Suas Próprias Palavras. Arthur Osborne. Editora Advaita

O  verão e a medicina ayurvédica

O Ayurveda ou Medicina Indiana caracteriza o verâo como uma estaçâo do ano regulada pelo elemento fogo, que aumenta o calor de nosso corpo e a sudorese (suor).

A alimentação é fator determinante para quem sofre com a umidade e com as altas temperaturas; deve-se diminuir a ingestão de álcool e de comidas quentes e picantes e aumentar a ingestão de alimentos e líquidos refrescantes, ou seja, que tragam uma energia fria para o nosso organismo. Os sabores refrescantes, segundo a medicina indiana, são o doce, amargo e adstringente, que pode ser comparado à “cica” que alguns alimentos possuem, como a lentilha, o caqui e o caju. Está indicada a ingestão de sucos de frutas e legumes e verduras crus na forma de saladas com temperos refrescantes – cominho, hortelã, erva doce, salsinha, cebolinha, orégano, manjericão e coentro.

Algumas pessoas não toleram bem o calor do verão e podem se sentir mais irritadas. Para elas, a palavra de ordem é moderação; devem escolher atividades tranquilas, se possível nos horários mais frescos do dia, principalmente no caso de exercício físico. A natação é uma ótima pedida nesta estação.

Chás frios de plantas medicinais refrescantes – hortelã, camomila, erva doce, capim limão e erva cidreira – são bons aliados para diminuir o elemento fogo no nosso corpo.

A massoterapia indiana (Abhyanga) com óleos medicinais refrescantes, como o côco e girassol, é útil para auxiliar a diminuir a irritabilidade e refrescar a pele.

Nesta época do ano são indicadas as cores frias, como o branco, o azul e o verde. Já as cores quentes, como o laranja, o vermelho e o preto, devem ser evitadas. A gemoterapia indiana recomenda a utilização de pedras frias como: pedra azul, cristal de quartzo claro, esmeralda e ametista.

A prática de Yoga deve ser feita com ênfase nas posturas calmantes e na respiração refrescante, como o shitali pranayama. A meditação com mantras harmonizantes e calmantes é bem adequada neste período.

Segundo a visão do Ayurveda, o ser humano deve seguir um estilo de vida saudável  coerente com as sua necessidades individuais e deve aprender a ouvir os seus sinais internos para alcançar uma mente tranquila e um espírito harmonioso. A filosofia indiana ensina que é muito importante que a pessoa tenha uma vida guiada pela sabedoria, que leva ao auto-conhecimento e proporciona o desenvolvimento do potencial latente em todos nós.

A beleza que se vê e a beleza que se sente

Um ponto fundamental do Ayurveda é que tudo está interrelacionado.
Nada é separado no Universo ou no corpo humano. Outro ponto fundamental é que o aspecto externo do corpo humano reflete o seu ambiente interno. Apesar da interrelação, cada item é também único; cada parte contribuindo com uma qualidade especial para o todo, assim como uma célula no estômago ou uma estrela no céu. Este conceito de individualidade é básico no sistema ayurvédico. A compreensão de como nosso corpo e mente funcionam é libertadora: nos deixa livres do estereótipo social, dos condicionamentos, dos preconceitos e julgamentos que temos a respeito de nós mesmos e também dos outros. Assim, quando falamos de beleza no contexto ayurvédico estamos falando desta união entre o externo e o interno. No Ocidente a beleza é apenas a perfeição do que é visualmente percebido, o que abrange o contorno do corpo, a textura da pele, a qualidade do cabelo e das unhas; no Ayurveda também são incluídos a graça da postura, a delicadeza dos movimentos, as qualidades sutis de frescor e vitalidade, além do magnetismo pessoal. Isso demonstra que o Ayurveda sempre entendeu a beleza como um produto da saúde física geral e do adequado cuidado diário do organismo. A ênfase que o Ayurveda dá ao auto-conhecimento e ao desenvolvimento de uma rotina de hábitos diários positivos e coerentes literalmente fazem aflorar o que há de melhor em nós. Nesta linha, envelhecimento ocorreria com força e vitalidade, conferindo uma nova dimensão à beleza, uma beleza nascida da experiência de vida.

O conceito de cuidado de beleza é especialmente seguido e valorizado pelas mulheres. Existe uma lista infindável de cremes, ceras e loções que prometem fazer verdadeiros milagres pela nossa pele, pelo nosso corpo. A cosmetologia ayurvédica também é muito rica, mas o conceito de beleza segundo o Ayurveda tem uma dimensão muito maior.

Falando em termos gerais, os fatores que são responsáveis pela beleza de uma pessoa são: a dieta e estilo de vida (rotina diária), o efeito de condição geográfica e climática e a atmosfera social. A digestão perfeita, a assimilação de nossa comida e o bom funcionamento do intestino, com evacuações regulares, são essenciais para se manter saudável. Todos estes aspectos são responsáveis pela força e beleza de um indivíduo que é refletida pela pele viçosa, olhos luminosos, cabelos brilhantes, unhas fortes e lábios úmidos. Para ter uma boa digestão devemos estar atentos.
É fundamental selecionar bem o que se come, cuidar de seu preparo, mastigar bem e fazer as refeições em locais tranqüilos.

Os banhos de imersão também são uma excelente escolha para quem possui uma banheira em casa. Esta aqui é uma receitinha de banho para induzir o sono profundo: para cada 5 litros d´água  fervida colocar: 1 xícara de flores de camomila, 1 xícara de capim limão e 1 xícara de lavanda.

Manter estas plantas abafadas durante 30 minutos, coar e adicionar à água do banho. (o ideal é acrescentar mais 15 litros d´água pra cada 5 litros deste preparo). Para pessoas com muita secura
na pele, ansiosas e que não conseguem relaxar (constituição tipo Vata), pode-se adicionar também, já na banheira, algumas colheres de óleo de gergelim não tostado. Este óleo cria uma fina cobertura que nutre a pele e atenua estados de tensão, ajudando a promover um sono tranquilo e profundo.

No banho morno, há algumas combinações de óleos essenciais que podem ser utilizadas terapeuticamente. Para exaustão nervosa, por exemplo, aconselha-se adicionar à água do banho 2 gotas de alecrim, 4 gotas de gerânio e 4 gotas de lavanda.

O sistema médico do Ayurveda utiliza uma enorme variedade de preparações medicinais. Os métodos tradicionais mudam de acordo com a constituição do indivíduo, o tipo, o local e a força da
doença, idade, estado mental e vitalidade do indivíduo. Depois de considerados todos estes fatores o método de preparo e administração podem ser escolhidos: poderão ser sucos, raízes ou folhas de plantas maceradas, cataplasmas, máscaras, chás, etc. Tudo o que vem da Natureza tem valor medicinal, é só sabermos identificar com clareza o que está ou não em sintonia com nossa
necessidade.

O estilo de vida (rotina diária) também cumpre um papel importante. A rotina diária de uma pessoa começa quando ela acorda e termina ao se deitar para dormir ao final do dia. Algumas orientações sobre a rotina, de acordo com os textos antigos, seriam: levantar-se antes de amanhecer e adormecer junto com o por do sol, dar uma caminhada curta após as refeições, praticar Yogasanas (posturas físicas do Yoga) regularmente, meditar, cuidar da limpeza externa e interna do corpo, equilibrar horas de trabalho com horas de descanso, adotar uma dieta alimentar de acordo com nossa constituição. Logicamente devemos utilizar nosso bom senso: atualmente é impraticável acordar com o nascer do sol e dormir ao cair da noite, principalmente para as pessoas que vivem nas grandes cidades. Mas o intervalo existente entre o acordar e o dormir, este pode ser alterado em nosso próprio benefício. Devemos nos concentrar, tomar as rédeas de nossa saúde pois é algo que só nós podemos fazer…