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Ayurveda e a sua relação com a Psicologia

Segundo a tradição indiana milenar conhecida como ayurveda (que significa ciência ou conhecimento da vida), surgido da observação da natureza, não se pode pensar mente e corpo de formas separadas.  Há uma psicologia implícita no ayurveda, que ainda não é o aspecto mais procurado no ayurveda no Brasil, mais conhecido pela sua ligação com a dietética, meditação e yoga.

Sendo um conhecimento voltado para a saúde integral e que faz a prevenção da doença, na medida em que equilibra o indivíduo, obviamente o ayurveda é muito mais do que apenas cuidados com a alimentação adequada a cada pessoa. Apesar da nutrição e dieta serem os aspectos que mais se têm destacado na mídia atualmente, deve-se cuidar também da nutrição, digamos, mental. Por vezes, é mais difícil fazer uma reeducação nos nossos maus hábitos mentais do que cortar alguns alimentos do cardápio e experimentar outros temperos…

Alguns recursos que o ayurveda indica e que auxiliam nesta “reeducação mental”  são a meditação e o yoga. Ambas, nas suas variadas correntes, contemplam a necessidade de cada pessoa. No dia-a-dia, fora das academias de yoga, hábitos de leitura ou programas e filmes a que se assiste também podem influir e agravar um estado mental.

Outro recurso para ajudar a reequilibrar o paciente são as afirmações de cura. Associadas a alguns mantras, podem ajudar a mudar o padrão mental. E não podemos deixar de mencionar a massagem (abhyanga).

E que pontos temos em comum entre a psicologia ocidental e a psicologia contida no pensamento ayurvédico? Talvez seja mais fácil apontar no que se diferenciam… Na Índia, na sua prática, o terapeuta ayurvédico já contempla o aspecto psicológico do paciente. No Ocidente, Medicina e Psicologia têm andado separadas e, como ao psicólogo não é permitido prescrever, o ideal é realizar um trabalho multidisciplinar, em parceria com um médico e um nutricionista da mesma abordagem, para que o paciente esteja amparado.

O profissional de psicologia, na abordagem ayurvédica – como qualquer outro terapeuta da mesma linha – vai tentar nas primeiras entrevistas chegar a um diagnóstico sobre o equilíbrio/ desequilíbrio dos doshas (humores biológicos) no paciente. São três os doshas existentes: vata, pitta, kapha. Tem-se uma constituição, “de nascença”, muitas vezes ancestral. Constantemente saímos do equilíbrio em função do meio ambiente (estresse, dieta inadequada), ou simplesmente pelas mudanças de estação.

A partir daí, são feitas recomendações individualizadas, observando também as qualidades cósmicas (em sânscrito, seriam os gunas: sattva, tamas, rajas). Em cada caso, o psicólogo trabalhará de forma diferente. Um exemplo banal: pessoas que normalmente têm dificuldade de dormir (o que pode ser um sintoma de um dosha desequilibrado), ao assistirem a filmes de ação – ou seja, muito rajásicos – pouco antes de dormir, terão maior dificuldade para conciliar no sono. Ou pessoas muito sonolentas, apáticas, podem estar com predomínio de tamas. E os recursos serão acionados de acordo com cada caso. E, obviamente, ouvindo o discurso do paciente e observando as alterações ao longo do processo psicoterapêutico.

Outro exemplo: no manejo da agressividade do cliente, enquanto várias linhas psicoterápicas frisam a importância de expressar a raiva (característico de rajas), usando técnicas para fazer uma catarse no consultório – no ayurveda, a observação do sentimento/ sensação é o mais importante. Expressá-lo pode mesmo reforçar a sua existência, pelo hábito ou condicionamento. Se nas psicoterapias ocidentais, o ego é o rei, segundo o pensamento ayurvédico, o ego não deve ser nutrido…

A Organização Mundial de Saúde define o termo da seguinte forma: “ saúde é o completo bem estar físico, mental e social e não apenas a ausência de doenças”. Para atingirmos este objetivo é fundamental termos uma rotina de hábitos saudáveis onde destaca-se a atividade física regular e bem orientada.

Os exercicios promovem os seguintes benefícios:

  • Previnem doenças cardio-vasculares
  • Previnem e tratam Hipertensão Arterial
  • Diminuem o colesterol e triglicerideos
  • Diminuem o açucar no sangue, prevenindo e tratando o Diabetes
  • Diminuem o risco de câncer de intestino ( cólon)
  • Diminuem o risco de câncer de mama
  • Auxiliam na redução do peso
  • Melhoram a função cardiorespiratória
  • Promovem o tonus muscular
  • Beneficiam a função cognitiva
  • Promovem a saúde como um todo
  • Reduzem a gordura abdominal
  • Protegem contra fraturas ósseas e osteoporose
  • Diminuem o risco de câncer de pulmão
  • Diminuem o risco de câncer de endométrio
  • Após os 40 anos perdemos 1% ou mais de massa óssea e muscular por ano, a atividade físíca regular previne esta perda
  • Aumentam a densidade óssea
  • Reduzem a ansiedade, depressão e estresse emocional
  • Melhoram a qualidade do sono
  • Promovem autoestima

Recomenda-se exercitar-se no minimo 150 minutos por semana, ou seja, 30 minutos 5 vezes na semana ou 50 minutos 3 vezes na semana.

Se o objetivo for a perda de peso ( emagrecimento) recomenda-se aumentar a atividade física para 300 minutos semanais, ou seja, 60 minutos 5 vezes na semana.

Sugestões gerais de atividade física: caminhada, dança, hidroginástica, natação, musculação, pilates, Yoga e Tai Chi Chuan.

Lembre-se que para ter resultados deve-se ter regularidade e que é melhor fazer exercicios no mesmo horádio, pela manhã ou a tarde. Atividade física a noite pode prejudicar o sono. Afirma-se: “muito exercício é melhor que pouco e pouco é melhor que nenhum”.

O Ayurveda recomenda o uso dos óleos medicinais para alcançarmos os melhores benefícios da massagem terapêutica indiana. Os óleos são nutrientes para a pele, segundo a visão oriental, pois contêm proteínas e carboidratos que são absorvidos pela epiderme e assimilados; isto leva à prevenção da secura (aumento de Vata), melhora do brilho e evita o envelhecimento prematuro.

A massoterapia indiana é sempre feita com óleos que serão escolhidos de acordo com o tipo de desequilíbrio predominante no paciente. Os melhores tipos de óleos são aqueles feitos com sementes de plantas cultivadas organicamente, já que são facilmente absorvidos, nutrem a pele e auxiliam na prevenção do envelhecimento.

  1. ÓLEO DE MOSTARDA

Este é um óleo muito popular de massagem na Índia (alivia dores musculares dos lutadores e fisiculturistas). O óleo de mostarda é amargo, picante, leve e amornante, destrói as doenças causadas por Vata e Kapha, aumenta Pitta e o calor corporal. Nos casos de dores articulares e reumatismo, a associação do óleo de mostarda à cânfora traz bons resultados.

  1. ÓLEO DE GERGELIM

É um dos óleos mais populares no Oriente, muitas vezes utilizado como base para outras formulações de óleos medicinais. O gergelim possui sabor doce, amargo e adstringente, além de propriedades amornantes. Este óleo, segundo a tradição indiana, é indicado nas doenças causadas por Vata e Kapha aumentados e aumenta o Pitta corporal. Esta planta é rica em substâncias antioxidantes, aminoácidos e minerais, sendo indicada em alterações do sistema nervoso, inchaços, pele seca (aumento de Vata ), nutrição dos cabelos (é muito usado para massagem na cabeça ) e reumatismo. Uma massagem na planta dos pés com este óleo antes de deitar tem forte poder calmante sobre o organismo, favorecendo o sono.

  1. ÓLEO DE CÔCO

É usado como base em muitos cosméticos e sabonetes. A planta apresenta sabor doce e propriedades refrescantes, por isto está indicada nas pessoas com Pitta (fogo) aumentado no corpo. Na Índia, este óleo é comumente utilizado nas queimaduras, eczemas e micoses pela sua propriedade anti-séptica. É muito utilizado pelas mulheres no Oriente, pois deixa os cabelos saudáveis e bonitos.
A massagem com óleo de côco refresca o calor corporal e auxilia o corpo a absorver mais Prana (energia) do ar. Na Índia, o côco é considerado uma fruta sagrada com muitas propriedades medicinais.

  1. ÓLEO DE AMÊNDOAS

É um excelente óleo para massagem, sendo muito usado na Índia nas crianças e idosos. Possui propriedades mornantes e sabor doce; é indicado para pessoas que tem Kapha aumentado no corpo. Deve-se colocá-lo no sol por 40 dias para aumentar suas propriedades terapêuticas; muitas vezes é misturado com leite e usado como tônico pelos lutadores indianos. Quando utilizado na massagem, é ótimo para os músculos, aumenta a vitalidade, sendo indicado para inchaços e securas da pele.
No Oriente também é indicado para melhorar a saúde dos cabelos e do sistema nervoso.

  1. ÓLEO DE RÍCINO

Possui sabor doce, amargo e adstringente e propriedade quente. Está indicado para pessoas com Vata umentado, pois alivia a secura da pele. O óleo de rícino possui propriedades curativas e nutridoras e um efeito alcalino no corpo. Para uso oral, está indicado para constipação, gases, cólicas e úlceras. Também auxilia na eliminação de toxinas acumuladas devido a problemas digestivos e atua como afrodisíaco, quando misturado ao leite, aumentando a longevidade.

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A palavra Ayurveda em sânscrito é formada por duas partes: ayus ou vida e veda ou conhecimento. O Caraka Samhita (compêndio de Caraka), principal texto de clínica médica, defini ayus da seguinte forma:

“O termo ayus é a combinação de corpo, órgãos dos sentidos, mente e alma” ( Caraka Samhita, trad. Dash e Sharma, 2007: vol I, p 25)

Segundo esta definição Ayurveda é o conhecimento ou a ciência da vida e possui uma evolução e desenvolvimento de milhares de anos no subcontinente indiano. Os principais textos autorizados são os compêndios clássicos conhecidos como “Brihat Trayi” ou o grande trio: Caraka Samhita ( escola de clínica médica), Susruta Samhita ( escola de cirurgia) e Astanga Hrdayam ( coração dos 8 ramos do Ayurveda de Vagbhata). Todo estudante de Medicina Ayurvedica, na Índia, pesquisa estes antigos livros escritos em sânscrito.

A Medicina Ayurvedica afirma que tudo no universo é formado pelos 5 elementos básicos da natureza, chamados panchamaha-bhutas, inclusive o corpo físico, são eles: espaço ou éter, ar, fogo, água e terra. O objetivo desta ciência é estudar as influências destes elementos na natureza e no ser humano, dentro desta filosofia o Homem é um microcosmo do universo, o macrocosmo. Os elementos se unem dois a dois para formar os doshas ( humores biológicos) que atuam na nossa fisiologia assim como na formação dos desequilíbrios psicofísicos. Espaço e ar formam o dosha Vata, fogo e água geram o dosha Pitta e água e terra formam o dosha Kapha. Podemos afirmar que os doshas são as expressões fisiológicas dos 5 elementos quando existe equilíbrio, porem quando ocorre uma desarmonia tornam-se suas expressões patológicas.

O dosha Vata, espaço e ar, é frio, leve, seco, móvel e rápido, atua principalmente nas funções excretória e nervosa. No tubo digestivo localiza-se no intestino grosso. Vata desequilibrado ou patológico gera um quadro clínico relacionado ao aumento de espaço e ar (movimento) no nosso corpo físico: secura, frio, perda de peso, inquietação, gases, prisão de ventre, ansiedade, medos, depressão e insônia. Algumas doenças relacionadas ao dosha Vata: fibromialgia, artrose, dores em geral, problemas de coluna, cefaléia, constipação, flatulência, colite, síndrome do intestino irritado, síndrome bipolar, doença de Parkinson, demência senil.

O dosha Pitta, fogo e água, é quente, moderado e oleoso ( úmido), atua principalmente na função metabólica e digestiva. No tubo digestivo localiza-se no estomago e duodeno ( intestino delgado). Pitta desequilibrado ou patológico promove um quadro clínico relacionado ao aumento de fogo e água ( calor e umidade) no nosso corpo físico: azia, queimação abdominal, fezes soltas, calor no corpo, aumento da sudorese ( suor), pele sensível e vermelha, olhos vermelhos, irritabilidade e agressividade. Algumas doenças que podem estar relacionadas ao dosha Pitta: gastrite, ulcera digestiva, regurgitação, diarréia, hepatite, inflamações, acne, crises de fúria e ciúmes, climatério e menopausa, enxaqueca e estresse exacerbado.

O dosha Kapha, água e terra, é pesado, oleoso ( úmido), frio e lento, atua na função estrutural e de lubrificação dos tecidos. Kapha desarmônico ou patológico gera um quadro clínico relacionado ao aumento de água e terra no nosso corpo físico: peso corporal aumentado, lentidão, preguiça, oleosidade, secreções, embotamento mental. As doenças que podem estar relacionadas ao dosha Kapha: obesidade, diabetes, aumento do colesterol, bronquite, sinusite, tosse com secreção, alergias respiratórias, lentidão em todas as funções físicas e mentais e apego exacerbado.

Para tratarmos os nossos desequilíbrios temos que antes apontar o dosha que está em desarmonia ( diagnóstico do desequilíbrio), neste site encontramos o questionário dos doshas que aponta esta desarmonia através de um interrogatório com 27 questões para cada dosha. Você deve responder as questões de acordo com os seus sintomas atuais, pensando em como você está se sentindo nos últimos dias. Após isto é interessante ler sobre os doshas ( botão princípios básicos) e a dieta dos doshas ( botão alimentação ).

O Ayurveda é uma medicina complexa e completa e utiliza diversas ferramentas terapêuticas para equilibrar os doshas: massagem ayurvedica, óleos medicinais, dieta, rotina diária de hábitos saudáveis, oleação e sudação ( purvakarma), fitoterapia ( uso terapêutico das plantas medicinais), terapias purificadoras ( panchakarma), medicamentos com metais, minerais e pedras preciosas ( rasa shastra), recomendação de atividade física, prática de yoga e meditação.

O Susruta Samhita coloca as 8 principais especialidades do Ayurveda que são estudadas nas faculdades de Medicina Ayurvedica:

1- Cirurgia geral ( salya)

2- Doenças da cabeça e pescoço, inclui oftalmologia e otorrinolaringologia ( salakya)

3- Medicina interna ou clinica médica ( kayacikitsa)

4- Psiquiatria e doenças de causas sobrenaturais ( bhutavidya)

5- Ginecologia, obstetrícia e pediatria ( kaumarabhrtya )

6- Toxicologia e envenenamento por animais peçonhentos ( agadatantra)

7- Terapia de rejuvenescimento ( rasayana tantra)

8- Terapia dos afrodisíacos ( vajikaranatantra )

( Susruta Samhita, tradução de Sharma, 2004: vol I, p 7 a 11)

Terminamos este pequeno artigo introdutório sobre o Ayurveda com as palavras do sábio Vagbhata no seu trabalho denominado Astanga Hrdayam, ou o coração dos 8 ramos da Medicina Ayurvedica, que é um resumo em 120 capítulos de todo conhecimento, acumulado no subcontinente indiano, até o século VII da nossa era:

“Aquele que satisfaz-se diariamente com alimentos saudáveis e com atividades que discriminam ( o bom e ruim em tudo e age sabiamente), que não é apegado ( demasiadamente) aos objetos dos sentidos, que desenvolve o ato da caridade, que considera todos como iguais ( agindo com gentileza), com sinceridade, com perdão e mantendo a companhia de pessoas boas, torna-se livre de todas as doenças”

( Vagbhata, Astanga Hrdayam, tradução de Murthy, 2007: vol I, p 52)

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Ações do sabor doce (Madhura Rasa Karma)

Acostumando-se a este sabor desde o nascimento, ele produz grande força nos tecidos (dhatus), é muito valioso para as crianças, idosos, feridos, emaciados; é bom para a pele (cor), cabelos, órgãos dos sentidos e a essência das sete categorias dos elementos dos tecidos é chamada Ojas, que é responsável pela força e vitalidade do corpo. É bom para a garganta, aumenta a produção do leite (no peito), une fraturas dos ossos, etc.; não é de fácil digestão, prolonga a vida, ajuda nas atividades da vida; é oleoso, acalma Pitta, Vata e veneno (Visha). O uso excessivo causa doenças devido à gordura e Kapha, obesidade, dispepsia, inconsciência, diabetes, aumento das glândulas do pescoço, etc., tumores malignos (câncer) e outras doenças.

Ações do sabor ácido ou azedo (Amla Rasa Karma)

Este sabor estimula a atividade digestiva (Agni), é gorduroso, bom para o coração, digestivo, estimulante do apetite, de potência quente, frio ao tato (refrescante em aplicações externas, alivia a sensação de queimação), sacia, causa umidificação, é de fácil digestão, aumenta Kapha, Pitta e o sangue (Asra) e faz o inativo Vata se mover para baixo. Usado em excesso causa flacidez do corpo, perda de força, cegueira, tonteira, coceira (irritação), palidez (descoloração amarelo-esbranquiçada como na anemia), herpes, inchaços, varíola, sede e febre.

Ações do sabor salgado (Lavana Rasa Karma)

Este sabor remove a rigidez, limpa as obstruções dos canais e poros, aumenta a atividade digestiva, lubrifica, causa sudorese, penetra nos tecidos, melhora o sabor, causa lacerações e erupções (de tecidos, novo crescimento, abscessos, etc.). Usado em excesso causa aumento de sangue (Asra) e Vata, causa calvície, embranquecimento do cabelo, rugas na pele, secura, doenças da pele, herpes (Visarpa) e diminuição da força do corpo.

Ações do sabor amargo (Tikta Rasa Karma)

Este sabor em si não é apreciado. Ele age na anorexia, vermes (bactérias, parasitas, etc.), perda de consciência, febre, náusea, sensação de queimação, acalma Pitta e Kapha, seca a umidade, gordura, gordura do músculo, medula, fezes e urina é facilmente digerível, aumenta a inteligência, frio na potência, causa secura, limpa o leite do peito e a garganta. Usado em excesso, causa depleção dos tecidos (dhatus) e doenças de origem Vata.

Ações do sabor picante (Katu Rasa Karma)

Este sabor cura doenças da garganta, erupções alérgicas, hidropsia e outras doenças da pele.

Alasaka (um tipo de indigestão), inchaço (edema); reduz o inchaço de úlceras, seca a gordura e umidade, aumenta a fome, é digestivo, melhora o paladar, elimina os doshas, seca a umidade da comida, rompe massas duras, dilata (expande) os canais e alivia Kapha aumentado.

Usado em excesso ele causa secura, depleção do esperma (Sukra ou elemento de reprodução e de força), causa desmaio, tremores e dores na cintura, nas costas, etc.

Ações do sabor adstringente (Kashaya Rasa Karma)

Este sabor alivia Pitta aumentado e Kapha; não é facilmente digerível; limpa o sangue, causa compressão e cicatrização de úlceras (feridas), de potência fria, seca a umidade e a gordura, etarda a digestão de comidas indigestas, absorve água, causando constipação; causa secura e  limpa muito a pele. Seu uso excessivo causa a permanência da comida sem digestão, flatulência, dor na região do coração, secura, emaciação, perda de virilidade, obstrução dos canais e constipação.

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Como funciona esse tipo de alimentação?

O Ayurveda é uma filosofia médica que exige um diagnóstico prévio do desequilíbrio do paciente. No Ayurveda nós fazemos a leitura do desequilíbrio dos Doshas ou humores biológicos. O Dosha Vata é composto por Ar e Éter, o Dosha Pitta por fogo e água e Kapha apresenta Terra e Água. Cada desequilíbrio terá uma dieta individualizada. Vata é seco, frio e leve, Pitta é médio, oleoso e quente e Kapha é frio, pesado e oleoso

Quais são os alimentos indicados?

Para o desequilíbrio de Vata ( Ar e Éter ) indicamos uma alimentação quente, nutridora e oleosa. No caso de Pitta em desarmonia indicamos uma dieta nutridora, fria e seca e em Kapha está indicado os alimentos leves, secos e quentes

Qual o diferencial dessa alimentação?

No Ayurveda digestão é mais importante que nutrição. O Fogo Digestivo ou as enzimas digestivas são fundamentais para nossa saúde. Nesta visão não adianta fazer uma dieta equlibrada se a nossa função digestiva não funcionar adequadamente. Utilizamos as plantas medicinais digestivas como : gengibre, pimenta do reino, funcho e açafrão para melhrar o fogo digestivo e promover a função disgestória.

Quais são os benefícios para o corpo?

O Ayurveda equilíbra o sistema corpo-mente-emoções através de uma rotina diária de hábitos saudáveis: dieta equilibrada, fitoterapia, atividade física, yoga, meditação, terapías depuradoras e massoterapia com óleos vegetais são ferramentas terapêuticas desta Medicina Oriental.

Como equilibrar os nutrientes?

A alimentação depende do desequilíbrio dos Doshas que são expresssões fisiológicas dos 5 elementos da natureza: Ar, Éter, Fogo, Água e Terra. NO site www.ayurveda.com.br existe um questionário de desequilíbrio dos Doshas que o internauta pode responder e ter uma idéia de seu desequilíbrio na visão desta filosofia médica indiana.

Existe algum tipo de restrição?

Claro, as restrições dependem do seu desequilíbrio. No site www.ayurveda.com.br temos os alimentos específicos para cada Dosha, aquilo que se deve priorizar e o que se deve reduzir e acordo com a nossa desarmonia atual.

ALIMENTOS QUE DEVEM SER PRIORIZADOS
FRUTAS: laranja, banana, pera, pêssego, ameixa, limão morango, abacaxi, manga, figo, mamão, abacate.
VEGETAIS: batata, tomate, berinjela, ervilha, batata doce, cenoura, cebola cozida, abóbora, alcachofra, agrião, rabanete.
CEREAIS & FEIJÕES: aveia, arroz integral, trigo integral, tofu (queijo de soja ).
SEMENTES e OLEAGINOSAS: côco, semente de girassol, semente de abóbora, semente de gergelim, castanha, avelã, amêndoa, nozes.
LATICíNIOS: queijo, leite desnatado, yogurt, manteiga, ghee (manteiga clarificada)
ALIMENTOS DE ORIGEM ANIMAL: frango, peru, peixes, frutos do mar
ÓLEOS: óleo de coco, óleo de mostarda, azeite de oliva, ghee (manteiga clarificada), óleo de gergelim
ADOÇANTES: frutose, mel, melado, açúcar mascavo, rapadura
CONDIMENTOS: hortelã, pimenta do reino (moderadamente), gengibre, coentro, cominho, cravo, canela, feno grego, alho, cardamomo, assafétida, erva doce, noz moscada e mostarda.

ALIMENTOS QUE DEVEM SER REDUZIDOS OU EVITADOS
FRUTAS: maçã, melão e frutas secas
VEGETAIS: couve-flor, pepino, aspargo, espinafre, aipo, cogumelo, alface, brócolis, brotos
CEREIAIS & FEIJÕES: milho, trigo sarraceno, painço, granola, feijões, lentilha, ervilha
SEMENTES & OLEAGINOSAS: nenhuma
LATICíNIOS: nata
ALIMENTOS DE ORIGEM ANIMAL: carne de vaca, porco
ÓLEOS: óleo de milho, óleo de soja, margarina
ADOÇANTES: açúcar branco
CONDIMENTOS: nenhum

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Hoje em dia fala-se muito em Qualidade de Vida, mas você sabe o que isso significa? O Grupo WHOQOL (Qualidade de Vida da Organização de Saúde Mundial), um grupo de pesquisa mundial organizado pelo Organização Mundial de Saúde, começou em 1991, com uma ampla definição de qualidade de vida. Qualidade de vida está definida como as percepções que os indivíduos têm da sua posição na vida no contexto da cultura e sistemas de valor nos quais eles vivem em relação às suas metas, expectativas, padrões e preocupações. Não há consenso sobre uma definição de Qualidade de Vida, embora haja uma concordância geral entre peritos que ela reúne bem-estar social  e psicológico assim como o estado de saúde.

A Qualidade Geral de Vida é ainda mais ampla em seu conceito e inclui a avaliação do indivíduo em todos os aspectos da vida, incluindo fatores como a segurança do ambiente no qual ele vive, se ele tem acesso a serviços de assistência à saúde e a serviços sociais, além de levar em conta o estado espiritual atual deste indivíduo. Trata-se de uma avaliação subjetiva, na medida que inclui dimensões positivas e negativas, embutidas dentro um contexto cultural, social e ambiental.

Sabendo do que é relevante na avaliação da Qualidade de Vida das pessoas, vamos conhecer um pouquinho sobre Ayurveda. Ayurveda é a tradicional ciência da saúde da India e significa “conhecimento da vida”; é a ciência da saúde mais antiga da humanidade, possuindo mais de 5000 anos de existência e a partir da qual muitas outras emergiram. Enfatiza a harmonia mente-corpo, segundo as leis da Natureza. As raízes desta palavra vêm do sânscrito: Ayur e Veda. Ayur significa vida e Veda significa conhecimento ou ciência.

A sabedoria ayurvédica desenvolveu-se através das mentes meditativas dos rishis, os videntes hindus da verdade, quando perceberam que a consciência era energia emanada a partir dos cinco elementos básicos: Éter, Ar, Fogo, Água e Terra.

A origem do Ayurveda vem dos Vedas, os mais antigos manuscritos disponíveis no mundo hoje. Tratam-se de livros onde estão registradas informações científicas e práticas sobre vários assuntos benéficos à humanidade como saúde, filosofia, engenharia, astrologia, etc.

Como a Medicina Ayurvédica pode contribuir para a melhoria da Qualidade de Vida? Podemos deduzir de tudo que foi lido, que a palavra-chave para se viver bem é HARMONIA e o ponto em comum entre Qualidade de Vida e Ayurveda é a saúde global que engloba corpo-mente e espírito.
O que acontece no mundo hoje? Paralelamente aos avanços da medicina, a expectativa de vida aumentou assim como a competitividade entre as pessoas. Por outro lado a Qualidade de Vida da população, de um modo geral, diminuiu. O conjunto destes fatores, somados aos maus hábitos da vida moderna, como má alimentação, falta de atividade física  e  noites mal dormidas, vão gerar o estresse que, por sua vez, provocará reações do corpo. Estas reações desgastam os mecanismos fisiológicos que o corpo possui para manter-se em equilíbrio, fazendo com que o organismo funcione mal e sobrevenham as doenças. Assim, muitas idéias surgiram sobre como evitar que o estresse afete nossas vidas; obviamente é impossível uma vida totalmente sem estresse, que naturalmente faz parte do “estar vivo”. Porém, devemos buscar formas de prevenir o “mal estresse”, gerador de desequilíbrios, e é aí que entra a Medicina Ayurvédica.

Atualmente, o mundo inteiro tenta resgatar uma harmonia mente-corpo que foi perdida ao longo de muitas centenas de anos e nunca de buscou tanto uma vida mais saudável: uma dieta equilibrada, uma boa digestão, horas restauradoras de sono. O Ayurveda traz esta harmonia para nossas vidas e sua prática é indicada para promover a felicidade, a saúde e o desenvolvimento criativo. Segundo esta filosofia, onde há harmonia há saúde; onde há desarmonia, há doença. A palavra harmonia, neste contexto, refere-se à integração que temos com o meio ambiente (natureza), através de nossos 5 sentidos. Em resumo, saúde é um estado de felicidade.

Sem compreender nossa constituição particular, nossa saúde enfraquece e sobrevém a doença. O que se observa é que não há uma medicina que identifique adequadamente todas as variantes que existem entre as pessoas, tratando-as de modo diferenciado. Infelizmente a medicina convencional costuma dar mais atenção às doenças do que aos doentes. A medicina oriental, como a chinesa e a ayurvédica, ao contrário, reconhece os tipos individuais e nos ajuda a entender nossas particularidades, nossas tendências. http://www.dailymotion.com/playlist/x4g9kx_netticasinohex_microgaming/1 – NettiCasino HEX – 1000+ Rahapelit

Definição

Abhyanga ( oleação ou snehana) é a metodologia de utilização transdérmica do óleo vegetal através da massagem terapêutica.

Abhyanga é feita em todo corpo do paciente com óleos vegetais medicados, por isto a necessidade de uma quantidade adequada de óleo que dependerá do paciente. A Abhyanga faz parte do tratamento de snehana ou oleação.

O terapeuta, antes de iniciar o tratamento, deve fazer a leitura do desequilíbrio do paciente. Neste caso o diagnóstico de distúrbios relacionados a Vata, Pitta, Kapha, Agni ( fogo digestivo) e Ama ( toxinas) são fundamentais antes do início da massoterapia.

Benefícios gerais: 

1- Promove a função nervosa e equilibra o sistema nervoso

2- Aumenta circulação de sangue e linfa

3- Auxilia na excreção de malas ( excreções)

4- Beneficia a pele e cabelos ( efeitos estéticos)

5- Ajuda na função gastrointestinal

6- Alivia tensões e dores musculares

7- Promove dissolução de estresse, tensão emocional, ansiedade e gera um sono repousante

8- Reduz edemas e inchaços

9- Indicado nos distúrbios de Vata Dosha

10- Apresenta bons resultados em alterações musculo-esqueléticas ( reumatismos)

11- Beneficia no tratamento das cefaleias ( dores de cabeça)

12- Libera os Doshas dos tecidos para o TGI ( tubo digestivo) para serem eliminados

13- Promove a libido, ou seja, é indicado no tratamento das disfunções sexuais

14- Indicado na dependência a drogas (álcool, tabaco, maconha, cocaína etc)

Contra indicações ao abhyanga;

1- Distúrbios de Kapha (está indicado udhvartana, ou seja, massoterapia com pós de ervas)

2- Acúmulo de Ama (toxinas)

3- Alterações de Agni (fogo digestivo)

4- Infecções com febre

5- Menstruação (pode aumentar o sangramento menstrual)

6- Gravidez (cuidados especiais na paciente grávida)

7- Trombose e tromboflebite

8- Náuseas, vômitos e diarreia

 


 

Disposição: O terapeuta deve estar com uma boa disposição e buscar o autoconhecimento e equilíbrio dos Doshas. O terapeuta doente deve evitar tocar no paciente.

Local: deve-se ter um consultório silencioso, com uma maca própria para a massoterapia e uma temperatura adequada do ambiente.

Duração: na Índia uma sessão de abhyanga dura de 30 a 45 minutos

Horário: início da manhã e final da tarde. Evita-se o horário do meio do dia pois é muito quente e pode promover desequilíbrio de Pitta.

Pressão: suave para Vata, média para Pitta e profunda para Kapha

Direção: anuloma (descendente) ou sentidos dos pelos para Vata e Pitta e pratiloma ( ascendente) ou contrários dos pelos para Kapha

Escolha dos óleos: prensado a frio, sementes orgânicas, não tostado e puramente vegetal. Normalmente os óleos são aquecidos em banho maria ( exceção de dias muito quentes e desequilibrios do Dosha Pitta)

Vata: gergelim, amêndoas, castanha do Brasil, mahanarayana, dhanvantari ou bala tailam

Pitta: coco, girassol, neem, azeite de oliva, bringaraja ou brami tailam

Kapha: pó de ervas, mostarda, óleo de semente linhaça

Abhyanga: massoterapia ayurvédica é um tratamento com óleos medicinais. Recomenda-se 5 a 10 sessões, uma a duas vezes por semana ( pacote de tratamento )

Auto-Abhyanga: é a auto-massagem diária feita dentro de uma rotina diária ayurvedica. O terapeuta pode indicar uma auto-massagem com óleo vegetal adequado como complementar ao tratamento

Cuidados: Pode acontecer , no início do tratamento, um desconforto em algumas áreas do corpo. Semelhante aquela pessoa que fica muito tempo sem fazer atividade física e faz uma aula inteira de ginástica. Recomenda-se bolsa de água quente por 20 minutos e beber muita água mineral para ajudar a eliminar toxinas do corpo.

 


 

Estudo Dirigido:

1- O que é Abhyanga e qual diferença entre esta metodologia e a massoterapia ocidental ?

2- Paciente com quadro de ansiedade, insônia, dor lombar, constipação e frio no corpo. Qual o Dosha desequilibrado ? Você indica Abhyanga para este paciente ? Por que e qual o óleo indicado ?

3- Paciente com quadro de gastrite, azia, irritabilidade, pele vermelha e calor no corpo. Você indica Abhyanga para este paciente ? Por que e qual o óleo indicado ?

4- Paciente obeso com pele muito oleosa, sedentarismo, digestão lenta e pele fria. Qual o Dosha desequilibrado?Você indica Abhyanga para este paciente? Por que ?

5- Cite alguns benefícios da Abhyanga em um paciente com Vata desequilibrado.

6- Quais são os principais cuidados que devemos ter ao indicar um tratamento com  Abhyanga ?

7- Por que a oleação não está indicada em desequilíbrios de Kapha Dosha

8- Pode-se fazer Abhyanga em uma mulher grávida ? Por que ?

9- O Ayurveda afirma que é importante fazer a leitura do desequilíbrio antes de iniciar o tratamento. Isto se aplica a metodologia Abhyanga ? Por que ?

10- Qual a diferença da Abhyanga para a auto-Abhyanga ?

Uma das civilizações mais antigas do nosso planeta, a Índia é um país de contrastes. A diversidade de línguas, hábitos e modo de vida não impedem que haja uma grande unidade na cultura do país.Ao mesmo tempo que cada estado tem seu próprio modo de expressão, como na arte, música, linguagem ou culinária, o indiano é profundamente arraigado ao sentimento de amor à sua nação e tem orgulho de sua civilização ancestral, o que mantém vivas até hoje muitas tradições.

Talvez pela profusão de deuses adorados por diferentes segmentos da sociedade, a tolerância religiosa é algo inerente aos indianos acostumados a conviver com a diversidade, como as línguas diferentes faladas muitas vezes por vizinhos. Nos dias de hoje ocorrem conflitos religiosos, mas isso não pode ser considerado característico.

Muita coisa causa estranheza no ocidente, pois são muitos símbolos, muitas deidades, muitos rituais. A maioria é relativo ao Hinduísmo, que ainda é a religião com mais seguidores na Índia, seguido pelo Islamismo e o Budismo. O Hinduísmo é tão antigo quanto a civilização da Índia, tanto que a palavra “hindu”é erroneamente usada para dizer ” indiano”, e toda a simbologia é vista pelos outros países como se representasse a própria Índia.

“Por quê Ganesha tem cabeça de elefante? Como o ratinho tão minúsculo pode ser o seu veículo? Porque algumas pinturas mostram os deuses e deusas com tantos braços? “Não podemos entender a Índia sem entender o significado de símbolos como o Om , a swastika, o lotus que revelam fatos sobre a cultura do país, desenvolvidos por centenas de milhares de anos. Apenas aqueles que estudaram a cultura intensamente podem entender o significado intrínseco desses símbolos, mas é uma obrigação moral de todo indiano se dedicar ao conhecimento da simbologia cultural da Índia.

SÍMBOLOS

A principal mensagem dessa cultura é a aquisição de conhecimento e a remoção da ignorância. Enquanto a ignorância é como a escuridão, o conhecimento é como a luz.
A lamparina, chamada de deepak tem muita importância como símbolo pois, tradicionalmente feita de cerâmica, representa o corpo humano porque assim como o barro, também viemos da terra. O óleo é queimado nela como um símbolo do poder da vida. Uma simples lamparina quando imbuída desta simbologia chama-se deepak e nos dá a mensagem de que toda e qualquer pessoa no mundo deve remover a escuridão da ignorância fazendo o seu próprio trabalho.Nos templos, sempre se oferece uma chama, significando que tudo que fizermos é para agradar a Deus.

Outro símbolo que causa curiosidade para os ocidentais é o Om, que representa o poder de Deus, pois é o som da criação, o princípio universal, entoado começando todos os mantras. Diz-se que os primeiros yoguis o ouviram em meditação, e esse som permeia o cosmos. É o número um do alfabeto, é o zero que dá valor aos números, é o som da meditação.

A flor de lótus, presente em muitas imagens, devido ao fato de crescer na água pantanosa e não ser afetada por ela representa que devemos ficar acima do mundo material apesar de viver nele. As centenas de pétalas do lótus representam a cultura da “unidade na diversidade”.

A swastica, que causa estranheza quando é vista, pois para o ocidente é relacionada com o nazismo, é na verdade um símbolo de auspiciosidade, bem estar e prosperidade. Acima de tudo é uma bênção.

As divindades, com seus muitos braços, cada um deles carregando objetos ou armas, símbolos em si, como o lotus, livro, indicam as direções, a maioria representa os quatro pontos cardeais: norte, sul, leste e oeste. Qualquer poder do espírito supremo é chamado deus ou deusa, apesar de Deus ser Uno e Absoluto. Por isso são tantos, pois são muitas as manifestações de Deus.

RELIGIÃO

Outra coisa que é absolutamente importante para entendermos a cultura indiana é a crença na reencarnação, que para os hinduístas, assim como para muitas outras religiões, é um preceito básico e incontestável. Sómente considerando isso é que um ocidental pode entender o sistema de castas. Na filosofia indiana a vida é um eterno retorno , que gravita em ciclos concêntricos terminando no ceu centro, coisa que os iluminados atingem. Os percalços do caminho não são motivo de raiva , assim como os erros não são uma questão de pecado , mas sim uma questão de imaturidade da alma.. O ciclo completo da vida deve ser percorrido e a posição da pessoa em cada vida é transitória. Essa hierarquia implica em que quanto mais alto se chega na escala maiores são as obrigações. A roda da vida cobra mais de quem é mais capaz. Um Brâmane, por exemplo, que é da casta superior, dos filósofos e educadores, tem uma vida dedicada aos estudos e tem obrigações com a sociedade. As outras castas são: Kshatriya, administradores e soldados, Vaishya , comerciantes e pastores e Sudras , artesãos e trabalhadores braçais. Antigamente esse sistema de castas era seguido como lei, mas depois que Mahatma Gandhi, o grande personagem da libertação da India, contestou isso em nome dos direitos humanos, hoje na India a mobilidade social já se faz presente.

Mas nem tudo é hinduísmo na India. O seu maior cartão postal, o Taj Mahal, é uma construção muçulmana, um monumento ao amor, pois foi construido pelo rei para sua amada que morreu prematuramente. É uma das maravilhas do mundo, feito com mármore branco e ricamente decorado com pedras preciosas.

O Islamismo é fundamentado sobre a crença de que a existência humana é submissão (Islãm) e devoção a Allah, Deus onipotente. Para os muçulmanos, a sociedade humana não tem valor em si, mas o valor dado por Deus. A vida não é uma ilusão, e sim uma oportunidade de bênção ou penitência. Para guiar a humanidadde, Deus deu aos homens o Corão, livro revelado através do Anjo Gabriel, ao seu mensageiro, o Profeta Maomé, por volta do ano 610 DC. Um século depois, houve a grande invasão a Sind, que hoje está fora da India, na região do Paquistão, onde a língua Urdu , introduzida naquela época na região, permanece até hoje .Devido a fatores políticos, o Islamismo se espalhou pelo norte e hoje temos um grande crescimento dos seguidores do Islãm por toda a India.

Por volta do século XV o Islam estava dominando o norte da India e se tornou muito intolerante, não admitindo a existência daqueles que não acreditavam na sua religião. Os hindus estavam vivendo em condições desumanas, sendo reprimidos e até massacrados e as mulheres eram maltratadas. Por outro lado os hindus , com suas divisões de classes, suas superstições e parafernália de rituais, depois de séculos de invasões e dominação, passaram a ser humilhados em seu próprio país, proibidos de construir seus templos e até velar seus mortos. Nesse contexto surgiu o Guru Nanak , que mostrou que ambas as religiões estavam se distanciando dos princípios de Deus, de paz e amor na humanidade e inaugurou o Sikhismo, uma religião baseada em valores universais : amor, liberdade, dignidade, tolerãncia, harmonia, amizade, realização pessoal , auto confiança, serviço, caridade e sacrifício. Para um Sikh a geração de riqueza não é irreligioso, se for em benefício da sociedade e não apenas para si próprio. È uma fé baseada na realização de Deus dentro de cada um neste mundo e não depois da morte. .

O Budismo também se faz presente, já que a India é a terra onde nasceu Buda, e onde tudo começou. No tempo do Imperador Ashok, o grande rei unificador da Nação indiana, a maior parte se converteu ao Budismo, que alguns chamam de filosofia e não religião, pois não existe adoração a Deus e o ser humano é levado a conquistar a paz interior pelo caminho do meio, ou seja, o equilibrio. O sofrimento é causado pelo desejo e a prática da meditação é usada para aquietar a mente e procurar atingir o Nirvana, o estado de perfeita paz. As mais impressionantes representações do Budismo da época áurea se encontram nas cavernas de Ajanta e Ellora ,em Aurangabad. Esta última consiste em templos e monastérios erguidos pelos monges budistas , hinduístas e jainistas e contam a história das três religiões.

A vida do indiano é dividida em quatro fases, e essa divisão se chama Ashrama: a infãncia , a juventude, que é absolutamente devotada aos estudos, (não existe namoro nesta fase) , o tempo de se constituir familia, que é pela tradição arranjada pelos pais (este hábito está caindo em desuso com os tempos modernos) e na velhice a vida é dedicada à realização espiritual. Tal modo de vida mostra a grande importância dada ao conhecimento, e um grande número de indianos , apesar do alto índice populacional do país, e da pobreza que é conseqüencia disso, tem escolaridade e fala mais de uma língua.

CIÊNCIA E TECNOLOGIA

Quase tudo na India é espiritualidade, mas na verdade o grande propósito da cultura indiana é o conhecimento, e toda essa importância dada às religiôes se deve ao princípio de que o propósito da vida na terra é sair da escuridão da ignorância e chegar à luz do conhecimento. O que muita gente não sabe é que o conceito do Zero nasceu na India, e também que a primeira Universidade , com o significado que a palavra deve ter, existiu em Nalanda, no estado de Bihar ,nos tempos ancestrais.

A matemática do modo como entendemos hoje em dia deve à India todo o seu fundamenrto,pois todo o sistema de numeração é indo-arábico, ou seja, os árabes buscaram na India e difundiram os algarismos que usamos até hoje. A fórmula de Bhaskara que foi criada na India é usada para resolver todas as equações de segundo grau.

A grande contribuição para o mundo além da filosofia , que faz parte da vida e todos os indianos, são os avanços na tecnologia da informação , pois a Índia hoje tem exportando Phd””””s na área de Softwares principalmente para a Europa e EUA. No Brasil, o Departamento de Microeletrõnica da Universidade de São Paulo, USP, o nosso Instituto de Pesquisas Espaciais, INPE, e o IPEN, Instituto de Pesquisas Nucleares contam com profissionais indianos em cargos importantes. No campo da pesquisa espacial, o telescópio Chandra, da NASA, que leva o nome do físico indiano, é superior em tecnologia ao Hubble, mais conhecido por ser responsável por telecomunicações.Outra área importante é a biotecnologia, campo que a India domina sobre muitos países.

ATUALIDADE

A contribuição da Inglaterra, país que colonizou a India, foi principalmente a introdução da lingua inglesa, que permite que haja uma língua comum falada em todos os estados, cada qual com sua lingua nativa. Mas, além disso, introduziram o sistema de trens , que cobre todo o país, o telégrafo e toda a modernização nas comunicações. A independência foi conquistada em 1947, após a célebre resistência pacífica liderada por Mahatma Gandhi, o grande personagem do século XX, que deu o exemplo para o mundo, ensinando que a paz é possível. Ele mobilizou a população a produzir os próprios tecidos, para mostrar que não precisavam depender da Inglaterra, por isso vemos sempre seu retrato com uma roca. Isso tornou-se um símbolo e hoje a produção e tecidos é um dos setores mais prósperos . A marcha do sal foi com a mesma intenção, provar que a India podia ser autosuficiente.

A auto-suficiência é uma realidade, principalmente com relação a alimentos. O fato de ter uma população em grande parte vegetariana, e mesmo os não vegetarianos não comerem carne de vaca porque ela é sagrada, faz com que os espaços não sejam ocupados com pasto, propiciando assim maior incentivo à agricultura. Mesmo que muitas pessoas na India não tenham teto, talvez sapato, sempre existe comida fácil e barata, além da disposição de ajudar uns aos outros ser uma coisa natural no indiano.

Da mesma forma , a população cuida de sua própria segurança.É muito raro assaltos à mâo armada, situações de risco desta natureza, pois o povo religioso como todos sabem, tem uma atitude diferente da ocidental perante a miséria , talvez por ter uma cultura que não é baseda no “ter”.Mas quando ocorre algo, os próprios cidadãos se encarregam de punir o delinqüente. Todos os templos exigem que se tirem os sapatos e estes são deixados do lado de fora. Mesmo com grande número de pessoas sem poder aquisitivo para comprar um sapato, estes não são roubados.

Outro aspecto da auto suficiência é o sistema de conselho municipal, chamado panchayati; cinco membros, geralmente mais idosos, portanto mais sábios, que cuidam dos assuntos da comunidade. Isso vem dos tempos ancestrais, decorrente dos clãs, que são chamados gotra, e foi caindo em desuso, mas a autoridade legal desses conselhos foi restaurada oficialmente em 1989 por Rajiv Gandhi. Não há melhor meio de se exercer uma educação em direitos democráticos do que a chance de exercitar eles mesmos. Dois milhões e meio de habitantes das vilas são eleitos para posições no panchayat e o governo exercido por pessoas comuns fazem da democracia um fenômeno genuínamente de massas

A democracia da India é a maior do mundo pela sua população e o sistema político é parlamentar. Há duas câmaras, a câmara baixa ou “Câmara do Povo” (Lok Sabha) com 544 membros e a câmara alta ou “Conselho de Estados” (Rajya Sabha) co 245 membros . esta última não pode ser dissolvida. Há um Chefe de Estado e um Chefe de Governo, diversos partidos políticos e sindicatos.

CINEMA E ARTE

A Índia moderna, como todos os outros países, absorveu a cultura ocidental, mas talvez devido ao orgulho de sua identidade própria, sem perder as características culturais. Um grande exemplo é a indústria cinematográfica, que é a maior do mundo. O número de filmes feitos na India é maior que em qualquer outro país. A indústria cinematográfica surgiu em Bombay em 1913. Sete anos mais tarde produziu-se em Calcutá o primeiro filme em língua bengali e em 1934 foram inaugurados em Madras os estúdios destinadoss à produção de filmes em tâmil e telugo. Essa é a maior paixão do indiano. Os cinemas vivem lotados, eles adoram seus astros, e o estilo “bollywood” (Bombay é o pricipal centro cinematográfico) se faz presente nas ruas, com músicas que são presentes em alto e bom som em todos os lugares, o colorido que os indianos tanto gostam saindo dos saris, que ainda são uma constante, para as roupas ocidentalizadas, pelo menos nos grandes centros. Mas tudo tem a cara da India, não se vê uma invasão cultural como ocorre em outros países, que perdem a sua identidade em nome de serem modernos.

Esta diversidade colorida, esta mistura de línguas, religiões, saris e turbantes, além de arquiteturas diferentes, é o que o fazem da India este “Caldeirão Cultural”. A princípio o ocidental acha que um sari é sempre igual ao outro, mas um olhar mais atento vai mostrar que conforme a região o modo de amarrar difere do outro, assim como dependendo da religião vemos os diferentes modos de se amarrar um turbante.

As religiões são o fator mais determinante nas expressões do povo, como podemos ver em todas as manifestações da arte. A literatura e a poesia nasceram como mais uma maneira de se conectar com o divino, assim como toda pintura ou escultura. Os poemas de Tagore e Kabir são lidos até hoje, e muitos quadros contemporâneos que podemos ver no Museu de Arte de Delhi fazem referência às tradições e mitos.

Apesar de tudo, quem imagina a India um país místico, com cheiro de incenso e cheio de guirlandas e santos vagando pelas ruas, deve saber que é tudo verdade, mas convivendo lado a lado com um povo extremamente progressista, que gosta da modernidade e com uma identidade cultural única no mundo.

 

Consulado Geral da India | São Paulo