Sofremos muito na busca da perfeição. Esquecemos que são justamente as nossas diferenças que fazem a diferença. Quando nos encontramos em sofrimentos, paralisados, e não sabemos pedir ajuda, ficamos tristes e são sabemos o porquê. Temos muita dificuldade em pedir ajuda. A maioria das pessoas prefere estar sempre a disposição para oferecer ajuda, mas nem sempre se abre para receber. Para muitos, precisar dos outros é mostrar-se fraco, quando o sofrimento chega e se constata que não basta ser auto-suficiente.
O mestre Paramahansa Yogananda nos fala: “Ao analisar o que você é, tenha o firme desejo de eliminar suas fraquezas e transformar-se no que deveria ser. Não se permita desanimar com imperfeições que são comumente reveladas através de uma auto-análise sincera”.
Importante reconhecer que quando buscamos nos conhecer, nos deparamos com fortes resistências, devido a uma construção de uma auto-imagem que nem sempre é a verdadeira, mas foram as ferramentas que precisamos para nos construir e sobreviver no mundo. Construímos idéias sobre nós mesmos porque precisamos nos adaptar e ser aceitos nos locais onde vivemos e nos relacionamos. Mas como lidar com isto?
Falar das coisas que nos incomodam como os nossos vícios, e dos nossos objetivos que parecem inatingíveis é reconhecer que muitas vezes sentimos inveja, ciúmes e pensamos mal das pessoas – este não é um tema atual. Isto é a nossa sombra. A sombra é só mais um termo específico para o nosso lado sombrio, lado que tentamos esconder das pessoas ao nosso redor a até de nós mesmos. Este efeito sombra acontece quando tudo aquilo que abrigamos e escondemos em nosso lado sombrio vem à tona. E o pior: as pessoas veem – sofremos e nos escondemos – do outro e nós mesmos. Mas, precisamos fazer as pazes com a gente.
Não há como lutar contra a sombra, ela não pode ser derrotada. Devemos identificá-la, conhecê-la a fundo e fazer as pazes com ela, nos perdoar, pois nela está cada sentimento obscuro e reprimido que ela abriga. O ser humano só tem acesso a sua natureza sombria quando tem a intrepidez necessária para mergulhar em si mesmo e empreender a imprescindível jornada de auto-conhecimento, processo que pode ser facilitado pela psicoterapia, mas que assim mesmo cabe a cada um realizar.
Geralmente, porém, as pessoas têm medo de olhar para si mesmas, de se verem como realmente são, e assim transmutar o que pertence ao campo das sombras. Normalmente prefere projetar no outro aquilo que ele rejeita em si mesmo, daí a importância de analisar com lucidez os aspectos da própria personalidade que são comumente transferidos para outras pessoas e situações.
Minha tarefa como psicoterapeuta desenvolve o lugar da escuta e percepção, onde minha sombra é refletida no outro e a do outro em mim. Uma dialética que necessita distinguir o que é meu do que é do outro. Escuto para ajudar o paciente a perceber uma saída para as situações de sofrimento e conflito. Vejo em meus pacientes uma vontade enorme para conseguir a aprovação dos outros, rejeitando o que nós acreditamos não ser aceitável para os outros e que, por esta razão se converteu em rejeitável para eles próprios – quando é dito sobre a pessoa o que ela rejeita, imediatamente ela transfere para o outro. Esse não aceitável tanto pode ser positivo como negativo. É positivo quando neste mecanismo eu me vejo, é negativo quando nego me ver e desenvolvo emoções destrutivas para mim e para o outro. Por tanto a sombra está configurada por tudo aquilo que não se encaixa com a imagem que nós próprios acreditamos e que queremos dar aos outros, não encaixa com as expectativas que acreditamos terem aquelas pessoas às quais queremos agradar, para conseguir a sua aprovação e carinho, ou então, não encaixam com os “princípios” que escolhemos para nós próprios.
Bem, desta forma, pedir ajuda é confrontar estas idéias que acreditamos ter – não precisamos de ninguém – somos auto-suficientes. Pedir ajuda seria manchar a imagem que criamos de super-heróis. Busco sempre, no site terapêutico, orientar que quando nos aceitamos como somos as coisas ficam mais simples. Tento explicar que é através do coração, do amor, da religiosidade que poderemos educar a nossa mente. Paramahansa Yogananda nos fala:
Um segredo para o progresso é a auto-análise. A introspecção é um espelho no qual se vê os recônditos da mente que, de outra forma, permaneceriam ocultos. Faça o diagnóstico de suas falhas e separe as suas boas e más tendências. Analise o que você é, o que deseja tornar-se e quais são as fraquezas que estão obstruindo o seu progresso.
Finalizando trago um questionamento: por que meus defeitos me incomodam? E deixo uma reflexão. Ser melhor para se sentir melhor depende da forma como você, eu, nós todos, nos vemos e encaramos as nossas dificuldades e o que efetivamente aprendemos com elas. Ser melhor dependerá da maneira como se interpretam os problemas que mais se repetem à nossa volta, causados pelo efeito sombra. E que continuarão acontecendo até que assimilemos o que precisamos aprender.

Mireia Maria Joau de Carvalho

Abordagens: Psicanálise Reichiana, Bioenergética, Biossíntese e Ayurveda
Mestre em Ética e Responsabilidade Social (Administração)
Doutora em Administração.

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