Posts

Durante o mês de janeiro nós tivemos a oportunidade de passar 4 semanas no Arya Vaidya Training Academy, em Coimbatore, sul da Índia, estudando Ayurveda, filosofia Hindu e praticando Yoga. O grupo era formado por 28 brasileiros, médicos e terapeutas, profissionais interessados em participar de um curso de imersão organizado pela Associação Brasileira de Ayurveda – ABRA. Os professores, experientes médicos indianos, foram muito atenciosos e pacientes, estavam sempre bem preparados para responder a todas as nossas perguntas e dúvidas sobre o pensamento e a tradição médica indiana.
Nós destacamos a aula com o acharya Vasudeva, famoso mestre de Ayurveda do sul da Índia, sobre rasayana, a terapia indiana de rejuvenescimento. Durante a aula, o carismático professor, colocou os 3 principais métodos utilizados na tradição indiana para promover vitalidade, rejuvenescimento e longevidade:

  1. Vatatapika – É a metodologia ambulatorial, não há a necessidade de internação, onde o paciente recebe tratamento através de uma rotina diária saudável, dieta equilibrada, uso terapêutico de plantas medicinais, massoterapia com óleos vegetais e práticas de Yoga e meditação para promover vitalidade.
  2. Kuti Pravesika – Esta metodologia exige internação em ambiente controlado, o acharya Vasudeva colocou a experiência com um paciente australiano, de 56 anos, que passou 3 meses internado fazendo o tratamento de rasayana. No primeiro mês foi feito o panchakarma ( terapia depuradora), para eliminar toxinas acumuladas no corpo. No segundo mês aconteceu a terapia rejuvenescedora, onde o paciente recebeu uma dieta especial com leite orgânico ( de uma vaca criada especialmente para o tratamento) e o Chyavanprash, medicamento rasayana, composto de 48 ervas medicinais, que o médico preparou 8 kg  para o paciente utilizar durante a internação. O terceiro e último mês foi formatado para o australiano retornar a sua vida normal, pois é necessária uma adaptação gradual a rotina diária. Os resultados foram excelentes, com crescimento de novos cabelos e rejuvenescimento de cerca de 10 anos segundo o médico.
  3. Kayakalpa – método secreto apenas utilizado pelos iogues e monges no Himalaia. O professor Vasudeva citou o caso, descrito na literatura indiana, de Shriman Tapasviji Maharaj, um iogue e santo do Himalaia, que passou por 3 distintos Kayakalpas, viveu até os 185 anos de forma plena e saudável, servindo seus discípulos e ajudando as pessoas.

O Ayurveda é a filosofia médica indiana que nos permite levar uma vida saudável, equilibrada e em harmonia com as leis da natureza. Acima de tudo é um caminho de autoconhecimento e autotransformação, que é fundamentado na sabedoria dos mestres indianos: “O melhor momento da nossa vida é aqui e agora pois é somente no presente que podemos ser felizes”.

Na maestria cada vez maior que temos do planeta, através das tecnologias e invenções modernas, podemos esquecer que há uma singular inteligência subjacente que se expressa na natureza. Nos que vivemos em grandes centros urbanos muitas vezes passamos semanas e meses sem a oportunidade de vivenciar um ambiente natural. Dirigir em horários de trafego intenso, trabalhar em salas fechadas, iluminadas e refrigeradas artificialmente, fazer refeições rápidas em lanchonetes e estar sempre atrasado e com pressa aumenta nosso estresse e nos aliena da natureza e finalmente de nós mesmos…Acreditamos que no fundo do nosso coração ansiamos por uma ligação mais intima com a “ Mãe Natureza”. As plantas medicinais podem fazer este papel ao nutrir esta parte do nosso espírito que clama por uma vida mais simples e uma época mais inocente quando nos sentíamos mais próximos do mundo natural

Uma planta medicinal para ser usada no Ayurveda deve ser interpretada dentro dos conceitos da farmacologia ayurvedica, denominada Dravya Guna, de sabor ou rasa, potencia ou virya, sabor após a digestão ou vipaka, efeitos especiais conhecidos como prabhava e ação terapêutica ou karma. Estes parâmetros foram desenvolvidos pelos mestres antigos do Ayurveda nos tradicionais livros em sânscrito, chamados de textos clássicos, em um numero limitado de ervas medicinais. Provavelmente aquelas mais estudadas e utilizadas na Índia antiga. Nos anos 1980 vários médicos indianos estiveram no Brasil, em Goiânia,e cerca de 100 plantas brasileiras foram classificadas como ayurvedicas ou com propriedades similares. Este trabalho foi desenvolvido no Hospital de Medicina Alternativa que tornou-se referência em Ayurveda e fitoterapia, no nosso país, hã mais de 2 décadas.

Nos últimos anos  muitas pesquisas tem sido realizadas no ocidente e oriente com as plantas medicinas e resultados terapêuticos promissores tem sido encontrados pelos pesquisadores. Apesar do uso da fitoterapia ser tão antigo quanto a história da humanidade ainda é muito pouco utilizada pelos profissionais da área da saúde. Isto acontece devido ao pequeno interesse e também a um certo preconceito e desconhecimento do assunto. Eu já ouvi  de uma colega endocrinologista de bom padrão cientifico, que fazia tratamento com acupuntura, a seguinte afirmação: “ o uso das plantas medicinais vai contra a minha medicina alopática”. Nada pode estar mais distante da realidade pois a fitoterapia está mais próxima da alopatia que a homeopatia ou a acupuntura. As ervas tem princípios ativos, que podem ser isolados em laboratório, com uma metodologia de ação contraria a patologia de forma semelhante aos medicamentos alopáticos mas com muito menos efeitos adversos e sem causar dependência aos pacientes.

O gengibre é uma das plantas medicinais mais utilizadas na fitoterapia, no Ayurveda é conhecido como remédio universal e é reverenciado em todo planeta por suas importantes propriedades culinárias e terapêuticas. Trata-se de uma planta herbácea cujos rizomas, erradamente chamados de raízes, são subterrâneos, carnosos e espessos, originaria da Ásia tem um sabor adocicado e picante e é utilizado para fazer o famoso “curry” e para temperar pratos com carnes, legumes, sopas, pães, tortas e sorvetes. Até hoje o gengibre é cultivado e valorizado pelos povos do oriente como parte importante da sua dieta e medicina. Suas virtudes curativas foram citadas pelo filósofo chinês Confúcio ( 551 a 479 a.C.), pelo médico grego Dioscórides e também pelo Corão, o livro sagrado do islamismo.

A planta medicinal é famosa por sua concentrada potencia aquecedora, tem sido usado na Ásia e África para acender o fogo interno do corpo. Na medicina ayurvedica é separado em gengiber fresco ( ardraka) e gengibre seco ( shunti) com propriedades distintas. Khalsa recomenda tomar 2 colheres de sobremesa de gengibre seco em um copo de água no inicio das alterações visuais que antecedem a enxaqueca ( aura) se o quadro recomeçar algum tempo depois repetir o tratamento, segundo o autor isto interrompe o inicio da dor de cabeça ( ver Khalsa e Tierra, The Way of Ayurvedic Herbs 2010, p 137).   O shunti entra no famoso composto Trikatu: gengibre seco, pimenta do reino e pimenta longa ( pode-se substituir pela pimenta dedo de moça em pó seca) considerado um poderoso digestivo que estimula o Agni ou fogo digestório.

Segundo o Ayurveda o gengibre tem as seguintes Ações ( karma): melhora a digestão ( dipana), elimina toxinas ( Ama pachana), rejuvenescedor ( rasayana) afrodisiaco ( vajikarana), alivia a tosse e secreção, anti-inflamatório e analgésico, anti-espasmódico, anti-emético,  beneficia a menstruação e tonifica a função cardiovascular. Alem disto

apresenta as seguintes Indicações terapêuticas: gripes, secreção, tosse, bronquite, reumatismo, artrose, má digestão, náuseas e vômitos, flatulência, cólicas menstruais, disfunção erétil e cefaléias. A dose diária recomendada é de 500 mg a 3 gramas do pó seco, outra opção é ferver 300 ml de leite orgânico com 2 gramas do pó seco, ou então  o sumo fresco da planta de 30 a 90 ml com mel, dividido em 2 tomadas ao dia. Podemos fazer as seguintes combinações para aumentar o poder terapêutico da planta

  • Decocção de gengibre fresco, um pitada de sal marinho e 5 gotas de limão, tomar 30 minutos antes das refeições para melhorar a digestão e evitar formação de Ama ( toxinas no tubo digestivo)
  • Associado ao capim limão e canela para gripes e febres
  • Associado ao açafrão e capim limão para cólicas menstruais

Como foi dito o gengibre é o remédio universal e deve ser utilizado na dieta, como importante condimento, mas também como uma auspiciosa erva medicinal. Na filosofia médica ayurvedica a nossa cozinha é a nossa farmácia, isto significa que devemos usar os alimentos como medicamentos sempre procurando optar por qualidade e saúde na escolha dos ingredientes da nossa dieta. O Ayurveda tem uma abordagem universal e ensina que é na região que nós vivemos que encontramos os alimentos, plantas medicinais e medicamentos naturais para tratar os nossos

desequilíbrios. Finalizamos com as palavras do professor e erudito ayurvedico J.K. Ojha, da Benares Hindu University: “A sabedoria é superior ao intelecto, a ciência é estruturada no intelecto, enquanto o processo do pensamento antigo do Ayurveda é estruturado na sabedoria”.


O Reumatismo ou doença reumatológica envolve mais de 100 doenças na medicina ocidental. Segundo a escola americana de Reumatologia podemos classificar o reumatismo da seguinte forma:

1- Doenças do Colágeno ou auto-imunes: ex. Artrite Reumatóide e Lupus Eritematoso
2- Artrites associadas a espondilites: ex. artrite da Psoríase
3- Reumatismo degenerativo: ex. Artrose
4- Artrites infecciosas
5- Doenças endócrinas e metabólicas: ex. Gota
6- Alterações ósseas: ex. Osteoporose
7- Reumatismo de tecidos moles: ex. Bursite, Tendinite e Fibromialgia

Apesar de serem muitas doenças na visão ocidental o Ayurveda classifica o reumatismo em 3 tipos: Reumatismo do tipo Vata com muitas dores articulares que podem ser migratórias, pioram com o frio e melhoram com o calor. Neste caso o paciente apresenta pele seca e creptações nas articulações, ansiedade, depressão e insônia. Reumatismo do tipo Pitta com muita inflamação, vermelhidão, sensação de queimação, febre e sudorese, piora com o calor e melhora com o frio e irritabilidade. Por último o reumatismo do tipo Kapha, com edema, inchaço, dor em peso que melhora com calor e piora com o frio e umidade, pele oleosa, fadiga e tendência a ganhar peso com facilidade.

O Ayurveda afirma que as doenças reumatológicas estão associadas a acúmulo de AMA ou toxinas devido a alterações digestivas e constipação. Neste caso temos que enfatizar a importância de uma alimentação equilibrada e individualizada de acordo com o diagnóstico da desarmonia do paciente. Uma dieta rica em alimentos de origem animal como leite e derivados, carnes e gorduras pode provocar o acúmulo de AMA, com a formação de alterações músculo-esqueléticas que chamamos de reumatismo.

Associado a uma dieta equilibrada recomendamos a fitoterapia, uso terapêutico das plantas medicinais. O Ayurveda possui muitas ervas com propriedades analgésicas e antiinflamatórias como a Commíphora mukul e a Boswellia serrata.

A massoterapia ayurvedica é uma excelente ferramenta terapêutica no paciente com reumatismo. Pois promove um profundo relaxamento, que alivia as tensões associadas a
Doença, reduz a fadiga, ansiedade e depressão que são prevalentes nestas alterações. No Ayurveda a escolha do óleo medicinal é fundamental pois será feita de acordo com o diagnóstico do desequilíbrio de Vata, Pitta ou Kapha no momento do tratamento.

O tratamento com sucesso das doenças reumatológicas necessita de uma transformação,com uma rotina diária, individualizada, de hábitos saudáveis que propõe uma mudança no padrão mental do paciente,com a prática regular e bem orientada de Hatha Yoga e meditação.

Em novembro participei do II Congresso Internacional de Envelhecimento Humano e observei a relação que existe entre estas duas linhas de conhecimento: a gerontologia é a ciência que estuda o envelhecimento e o Ayurveda é o conhecimento da saúde e da longevidade através do viver em harmonia com as leis da natureza. Durante o evento, realizado no estado da Paraíba, os profissionais enfatizaram a prática da atividade física
como forma de prevenção e promoção da saúde. Um dos profissionais comentou: “a melhor atividade física é aquela que agente faz”. Após os 40 anos nós perdemos 1% ou mais de massa óssea e muscular por ano e a melhor maneira evitar isto é através de exercícios regulares, orientados por um profissional, associados a dieta equilibrada e individualizada.

A gerontologia afirma que a única maneira de retardar o envelhecimento é através da restrição da dieta, ou seja, uma alimentação com moderação em calorias. O Ayurveda afirma que os excessos são prejudiciais e recomenda uma vida de disciplina e auto-controle.

Parece que disciplina e auto-controle são palavras quase que “pecaminosas” no século XXI. Se olharmos a mídia com atenção veremos que a propaganda vende a “realização de desejos e o aumento do prazer a qualquer custo”. Mas segundo a filosofia ayurvédica estes excessos não promovem felicidade duradoura, nesta visão oriental menos é mais, ou seja, viver com simplicidade e moderação é promover o equilíbrio e bem estar.

No Ayurveda encontramos o conceito de Rasayana que é a terapia que promove a prevenção do envelhecimento, aumenta o tempo de vida ( longevidade) e previne as doenças físicas e mentais. Na Índia vários medicamentos são utilizados com este fim : Amalaki ( Emblica oficinalis), Ashwagandha ( Withania somnífera), Shatavari ( Asparagus racemosus), Brahmi ( Bacopa monieri) e Tríphala ( as três frutas indianas). Estas plantas medicinais harmonizam a função hormonal, aumentam a energia vital, previnem a perda intelectual, melhoram o sistema imunológico, apresentam ação antioxidante ( combatem os
radicais livres) e promovem vitalidade física e mental.

Afirma-se que após os 40 anos mais de 50% dos homens apresentam disfunção erétil, ou seja, eles têm algum nível de dificuldade durante a relação sexual. Para isto o Ayurveda recomenda a terapia Vajikarana que promove a potência sexual, nutre os tecidos orgânicos, traz felicidade, beleza, força vital, nutrição e tambem pode auxiliar no tratamento das alterações sexuais. Alguns medicamentos são indicados: Noz moscada ( Myristica fragrans), leite orgânico da “vaca feliz”, semente de pó de mico ( Mucuna pruriens), Tribulus terrestris, Ashwagandha ( Withania somnífera) para o homem e Shatavari (Asparagus racemosus) para a mulher. Porem deve-se ter disciplina e auto-controle para utilizarmos este tipo de conduta terapêutica pois o objetivo aqui é o equilíbrio psico-físico.

O Ayurveda tem uma ótima indicação em geriatria ( ciência que trata as doenças do idoso), pois pode fazer o diagnóstico do desequilíbrio e depois indicar a conduta terapêutica de acordo com esta filosofia médica oriental. O ênfase aqui é a rotina diária de hábitos saudáveis sempre individualizada de acordo com a desarmonia vigente. Por último nunca deve-se esquecer que o mais importante é o fogo digestivo (agni), ou seja, a função gastro-intestinal pois a grande maioria das doenças inicia-se no tubo digestivo. Sem uma boa digestão e evacuação não alcançamos uma saúde adequada. Com este objetivo indica-se
as plantas medicinais, alimentação equilibrada e o uso terapêutico dos condimentos. A gerontologia e a Medicina Ayurvedica são complementares e devem dar as mãos para atingirmos qualidade de vida durante o processo natural do envelhecimento.

1. O Que é alimentação Ayurveda ?

R: O Ayurveda é uma racionalidade médica oriental, ou seja, um sistema médico desenvolvido na Índia há milhares de anos. A Medicina Ayurvédica necessita de um diagnóstico prévio para termos uma abordagem terapêutica adequada. Nesta filosofia médica indiana fazemos a leitura diagnóstica do desequilíbrio do paciente. Através de uma história minuciosa e um exame físico detalhado o profissional ayurvedista aponta a desarmonia dos 5 elementos da natureza ( éter, ar, fogo, água e espaço) no paciente. Na nossa fisiologia os 5 elementos se expressam através dos Doshas ( energias psicofísicas). O Dosha Vata apresenta éter e ar, o Dosha Pitta apresenta fogo e água, já o Dosha Kapha possui água e terra. Estes elementos influenciam os biótipos dos Doshas: Vata ( éter e ar) é magro, seco e frio, Pitta ( fogo e água) apresenta-se como médio, quente e um pouco oleoso já o Dosha Kapha ( àgua e terra) caracteriza-se por ser pesado, frio e oleoso. A terapêutica é feita pelo contrário Vata ( magro, frio e seco) necessita de uma abordagem nutridora, quente e úmida ou oleosa. Pitta ( médio, quente e tendência a oleosidade) precisa de um tratamento refrescante, seco e uma dieta harmonizante, por último Kapha ( frio, pesado e oleoso) trata-se com uma alimentação leve, seca e quente.

O Ayurveda, uma medicina oriental holística, apresenta várias ferramentas terapêuticas para promover a integração mente-corpo do ser humano: alimentação equilibrada, fitoterapia, utilização dos óleos medicinais, promoção de sudorese ( eliminação de toxinas pelo suor), massoterapia ( massagem terapêutica ayurvedica), udvartana ( manobras com pós de ervas para agravação de Kapha Dosha), terapias depuradoras do corpo ( panchakarma), tratamentos externos ( bastis e pindas), rotina diária saudável com indicação de atividade física, prática de Yoga e meditação.

Na sua visão filosófica o Ayurveda é um caminho para o autoconhecimento, uma ciência oriental que promove o equilíbrio e harmonia do ser humano como um todo, através da integração corpo-mente-espírito da pessoa. Qualquer indivíduo pode se beneficiar das terapias ayurvédicas mesmo sem acreditar nelas. Pois esta racionalidade indiana promove uma harmonia do ser humano com as leis da natureza por isto funciona adequadamente em qualquer época e região do planeta.

2. Quando e onde surgiu a alimentação no Ayurveda ?

R: O Ayurveda surgiu há milhares de anos atrás, os primeiros textos em sânscrito têm cerca de 3000 anos. Esta Medicina Oriental Holística foi desenvolvida no subcontinente indiano por pesquisadores, médicos antigos e terapeutas que circulavam de região em região tratando os doentes, ensinando e adquirindo novos conhecimentos. Estes profissionais ayurvedistas eram denominados Charakas ( literalmente aqueles que vagam) e deram origem ao principal texto da Medicina Ayurvedica ; “ Charaka Samhita”

3. Uma dieta baseada no Ayurveda contempla alimentos comuns encontrados no supermercado ?

R: O Ayurveda ensina que na região que nós vivemos nós encontramos os medicamentos naturais, plantas medicinais e alimentos adequados para tratar nossos desequilíbrios. A Medicina Ayurvédica utiliza todos os tipos de alimentos e ervas medicinais. Nós não precisamos importar medicamentos e alimentos da Índia, temos que adaptar o Ayurveda ao Brasil do século XXI utilizando os produtos regionais e da estação do ano. Indica-se os produtos naturais, alimentos integrais sem os quimiotóxicos ( corantes, conservantes, antibióticos, hormônios e pesticidas) dos alimentos industrializados. Todos os grupos de alimentos naturais são recomendados na dieta do Ayurveda porem a abordagem terapêutica é sempre individualizada a partir de uma leitura diagnóstica prévia.

4. Pode-se comer carne vermelha ?

R: Todos os alimentos podem ser utilizados como medicamentos, até mesmo a carne vermelha, porem nesta racionalidade médica a dieta deve ter alimentos naturais, ou seja, sem os quimiotóxicos. Deve-se respeitar o origem natural mas também as combinações alimentares, por exemplo o leite de vaca é um alimento nutridor indicado para os desequilíbrios dos Doshas Vata e Pitta, porem nunca deve ser misturado com frutas por exemplo. O leite deve ser orgânico da chamada “vaca feliz”, animais que recebem tratamento adequado
e vivem no seu habitat natural. Aquele leite de caixinha ( industrializado) não é indicado pois contem hormônios, antibióticos e pesticidas que são deletérios a saúde do der humano. O leite orgânico é utilizado morno, separado dos outros alimentos, com condimentos, ou seja, canela, gengibre, cardamomo e noz moscada. Normalmente ele é fervido com estas especiarias para criar o chamado “leite medicado”.

5. A dieta no Ayurveda aborda somente aspectos físicos ou também lida tendências mentais, emocionais e espirituais do ser humano ?

R: O Ayurveda na sua abordagem terapêutica holística-integrativa aborda todas as dimensões do ser humano: corpo, mente, espírito, meio ambiente e sociedade.

6. Quais são os motivos que levam uma pessoa a procurar a alimentação do Ayurveda ?

R: O Ayurveda como medicina holística é utilizado para prevenção e promoção da saúde mas também no tratamento de todas as patologias. Muitos pacientes me procuram pois estão insatisfeitos com a medicina ocidental com sua abordagem sectária, exclusivista e sintomática. Queixam-se da falta de atenção do profissional e dos efeitos colaterais das drogas alopáticas. Procuram uma medicina integrativa, que leve em conta a totalidade do indivíduo.

7. Quais são os benefícios da alimentação Ayurveda ?

R: O Ayurveda com suas ferramentas terapêuticas como a dieta e a fitoterapia, associadas a indicação de uma rotina diária de hábitos saudáveis, como Yoga e meditação, leva a benefícios no corpo, mente e emoções do paciente. Antes de indicar uma dieta temos que avaliar o fogo digestivo ( função digestória) da pessoa. Sem um bom fogo digestivo traduzido como um apetite saudável, digestão adequada e evacuações regulares a saúde fica prejudicada. Após regularizarmos o fogo digestivo e prescrevermos uma dieta individualizada toda a fisiologia e a psicologia se beneficiam: melhora do sono, aumento da disposição e vitalidade, alívio dos quadros dolorosos, clareza na função mental, promoção do sistema imunológico, dissolução do estesse, ansiedade e até melhora nos pacientes depressivos.
No site www.ayurveda.com.br temos o questionário de desequilíbrio dos Doshas, o leitor pode responder as perguntas e ter uma idéia da sua desarmonia na visão do Ayurveda. Além disto existe o botão sobre alimentação com os principais alimentos para os Doshas.

 

Prof. Dr. Aderson Moreira da Rocha, clínico geral, reumatologista, presidente da Associação Brasileira de Ayurveda e autor do livro “ A Tradição do Ayurveda”

1. Nome completo, formação e atuação.

R: Aderson Moreira da Rocha, clínico geral, reumatologista e acupunturista, mestre e doutor em Saúde Coletiva pela UERJ, presidente da Associação Brasileira de Ayurveda e autor do livro “A Tradição do Ayurveda”

2. Como você conheceu o Ayurveda? Há quanto tempo trabalha com essa medicina?

R: Em 1985 fui fazer um curso de formação em professor de meditação transcendental, na Sociedade Internacional de Meditação, quando tive minha primeira aula desta filosofia médica indiana. Venho trabalhando com Ayurveda desde1998.

3. Como o Ayurveda pode ser definido e resumido? É uma medicina? Tem aproximadamente quantos milhares de anos? (Posso utilizar o termo “Medicina Ayurvedica” como sinônimo de Ayurveda?)

R: Medicina Ayurvedica e Ayurveda são sinônimos. O Ayurveda é uma filosofia médica indiana que propõe o equilíbrio dos elementos da natureza no ser humano, são eles: espaço, ar, fogo, água e terra.

Os excessos ou deficiências destes elementos levam aos nossos desequilíbrios físicos, mentais e emocionais. A Tradição oriental afirma que o Ayurveda existe na Índia há cerca de 5000 anos.

4. Ayurveda também pode ser considerado uma filosofia de vida?

R: O Ayurveda é uma filosofia de autoconhecimento que promove auto- transformação e uma vida em harmonia com as leis da natureza.

5. Ayurveda é baseado nos cinco elementos básicos da natureza: espaço, ar, fogo, água e terra, certo? Você poderia explicar a relação destes elementos e sua influência na saúde do ser humano por meio do Ayurveda? Como esses elementos são trabalhados no ser humano?

R: Os elementos da natureza se unem formando funções e biótipos:
Vata possui ar e espaço, é magro, frio e seco, Pitta apresenta fogo e água, é médio, calorento e um pouco oleoso ( elemento água), já Kapha tem água e terra, é pesado, frio e oleoso ( elemento água). Nós temos os 5 elementos e os 3 Doshas ( Vata, Pitta e Kapha) mas quando existem desequilíbrios ( excessos ou deficiências) as desarmonias ou distúrbios acontecem. A saúde vem do equilíbrio das funções do Doshas com a nossa fisiologia.

6. O Ayurveda pode substituir a medicina tradicional/convencional? De que modo? É uma forma tanto de prevenção como tratamento de doenças?

R: Na Índia o Ayurveda é utilizado como medicina preventiva mas também curativa para muitas doenças. Lá existem muitos hospitais e clínicas que trabalham exclusivamente com a Medicina Ayurvedica para o tratamento da maioria das enfermidades.

7. Qualquer pessoa pode seguir a medicina ayurvedica?

R: Sim, o Ayurveda pode ajudar em todas as doenças, preventivamente ou de forma curativa. Todos os seres humanos, em qualquer lugar do planeta, podem se beneficiar da filosofia de autoconhecimento e autotransformação. A Medicina Ayurvedica propõe uma integração com as leis da natureza que regem o ser humano mas também o universo

8. Como um problema de saúde pode ser detectado pelo Ayurveda?

R: O diagnóstico do Ayurveda inclui uma história clinica detalhada e um exame físico minucioso com exame de pulso e língua do paciente. No site www.ayurveda.com.br temos um questionário que o leitor pode responder e saber o desequilíbrio de seu Dosha ( Vata, Pitta ou Kapha)

9. Quais são as formas de tratamento de problemas de saúde por meio do Ayurveda? Os tratamentos irão se alterar de acordo com o problema e perfil do paciente?

R: O tratamento depende o diagnóstico do desequilíbrio dos Doshas ( Vata, Pitta e Kapha), sempre o tratamento é individualizado. Na medicina ocidental usamos para dor analgésico, para inflamação anti-inflamatório, para a hipertensão arterial anti-hipertensivo etc. O tratamento não é individualizado, porem no Ayurveda sempre teremos uma abordagem única para a pessoa que procura alívio de suas mazelas. O Ayurveda utiliza: fitoterapia, dieta, terapia de desintoxicação, massagens com óleos vegetais, sudação e oleação, yoga e meditação.
A indicação do tratamento depende no diagnóstico da desarmonia do paciente.

10. Há quanto tempo o Ayurveda é trabalhado no Brasil?

R: O Ayurveda iniciou no Brasil nos anos 1980, podemos dizer que o Ayurveda existe no nosso país há quase 30 anos.

11. Como a medicina ayurvedica tem sido trabalhada no Brasil? Como essa medicina tem sido disseminada por aqui?

R: O Ayurveda é disseminado na forma de cursos de formação e atendimentos aos pacientes. A Associação Brasileira de Ayurveda foi fundada em 1999 com o objetivo de promover o verdadeiro Ayurveda no Brasil.

12. Existe uma estimativa sobre o número de profissionais de saúde que adotaram o Ayurveda para tratamento de pacientes no Brasil?

R: Podemos dizer que centenas de profissionais trabalham com Ayurveda no Brasil. Hoje mais de 1000 pessoas no Brasil já fizeram formação em Ayurveda nos nossos cursos.

13. Só quem é médico formado por meio das faculdades de medicina convencional é que pode trabalhar como profissional de Ayurveda? O que é necessário para se tornar um profissional de Ayurveda?

R: O profissional de Ayurveda deve fazer um curso de formação e se tornar um terapeuta Ayurvedico. Nós já fizemos mais de 30 cursos de formação em diversas cidades como Rio de Janeiro, São Paulo, Porto Alegre, Campo Grande, Salvador, João Pessoa, Belo Horizonte.

14. Existe uma estimativa sobre a quantidade de pessoas adeptas do Ayurveda (como pacientes desta medicina) no país?

R: Podemos afirmar hoje que milhares de brasileiros já receberam tratamentos com o Ayurveda.

15. As faculdades de Ayurveda existem apenas na Índia? Ou já há cursos profissionalizantes desta medicina em outros países e também no Brasil?

R: AS faculdades de Ayurveda existem na India, Nepal, Sri Lanka. No Brasil temos cursos de formação em Ayurveda para profissionais que se tornam terapeutas ayurvedicos.

16. Assim como a medicina tradicional, o Ayurveda tem diferentes áreas de atuação, que abordam diferentes especializações?

R: O Ayurveda é uma medicina tradicional, já a medicina ocidental é uma medicina científica. “Medicinas Tradicionais” são aquelas que possuem tradição nos seus países de origem: Medicina Tradicional Chinesa, Medicina Tibetana e Ayurveda.
O Ayurveda tem 8 especialidades tradicionais: cirurgia ayurvedica, clínica médica, pediatria, psiquiatria, toxicologia, doenças da cabeça e pescoço ( inclui otorrinolaringologia e oftalmologia), terapia dos afrodisíacos e terapia de rejuvenescimento

17. Por meio da Associação Brasileira de Ayurveda, há quantos centros de Ayurveda no Brasil?

R: A Associação Brasileira de Ayurveda tem representações nas seguintes cidades: São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Goiânia, Salvador, Porto Alegre, Campo Grande e João Pessoa. Nós levamos anualmente nossos alunos para fazerem cursos avançados na Índia. Mais de 100 alunos já foram a Índia através de nossos grupos de estudos no Arya Vaidya Training Academy em Coimbatore, sul do subcontinente indiano.

Dicas do Ayurveda para o Outono

O verão acabou e o calor e a umidade deram lugar a um clima mais frio e, principalmente, seco – o outono. Em nosso país esta estação não é tão marcada quanto o verão, mas tem características peculiares que pedem alguns cuidados. O outono, de acordo com o Ayurveda, é uma estação Vata (predomínio do elemento ar) e pessoas com este tipo de constituição são as que mais devem se cuidar. Mas porque afinal isto é tão importante?

Segundo a sabedoria indiana, nós somos parte da natureza e com ela interagimos a todo momento. Nosso corpo responde de modo individual às variações de temperaturas do ambiente. Por exemplo: podemos ver que num dado local numa mesma hora do dia, algumas pessoas – mais calorentas (tipo Pitta – fogo) – estarão vestindo roupas cavadas, como shorts e camisetas, outras se sentirão melhor com um casaquinho leve e calça comprida – pessoas mais friorentas (tipos Vata – ar e Kapha – água). Isso ocorre porque a constituição natural de cada uma dessas pessoas é diferente, assim “sentem” as condições externas de maneira particular.

As pessoas do tipo Vata são naturalmente mais magras e friorentas; têm tendência a ficar com a pele seca e áspera, o que pode ficar bem evidente no outono e piorar no inverno, estação ainda mais fria e mais seca. A transição entre verão e outono promove mudanças que causam mais impacto em pessoas com esta natureza. Prisão de ventre, insônia, aumento da ansiedade, dor de cabeça e resfriados sucessivos são alguns dos sinais que mostram que aquelas pessoas com natureza mais Vata estão em desequilíbrio. O que fazer então para prevenir ou reequilibrar?

Se você é do tipo Vata, sabe que tem como principais elementos o ar e o éter. Esse predomínio gera em seu corpo características como leveza, frio e secura. Então, o que se tem a fazer é, em primeiro lugar, rever a alimentação, que deve passar a ser mais nutritiva, quente e úmida. Essas qualidades opõem-se às que existem naturalmente em você e que podem, por causa do clima frio e seco, agravar-se e gerar desequilíbrios. Os alimentos devem ser de preferência cozidos, grelhados ou assados, evitando-se sempre que possível os crus. Os sabores doce (frutas, arroz, carnes, leite), salgado (sal e frutos do mar) e ácido (queijos, frutas cítricas) são altamente benéficos e devem ser priorizados. Deve-se diminuir (não eliminar) a ingestão de alimentos com sabor picante (condimentos), amargo (verduras cruas) e adstringente (tofu, feijões, ervilhas, caju, caqui). Cominho, gengibre, canela, sal, cravo, mostarda e pequena quantidade de pimenta são aceitáveis e combatem o frio. O sol também é um excelente aliado: além de fonte de calor, promove alegria – o que é particularmente bom para pessoas de natureza Vata, que tendem à depressão quando em desequilíbrio.

As sementes (amêndoas, nozes, castanhas) podem ser consumidas nos intervalos das refeições; são altamente nutritivas.

Os chás – erva doce, camomila, canela, gengibre – são bem-vindos e poderão ser consumidos ao longo do dia, de preferência mornos, com mel e limão. Deve-se tomar bastante líquido ao longo do dia para combater a secura.

As pessoas do tipo Vata beneficiam-se enormente da massagem ayurvédica, que utiliza óleos vegetais adequados à cada constituição. Antes de dormir, uma boa massagem nas plantas dos pés fará com que o sono torne-se mais profundo, além de atenuar estados de ansiedade.

1.     A filosofia médica oriental recomenda uma rotina diária de hábitos saudáveis. A moderação e o equilíbrio são o caminho para a saúde física, mental e emocional .

2.     Pela manhã, em jejum, tome um copo de água tépida com 5 gotas de limão.

3.     A alimentação deve ser feita em ambiente tranquilo, sem computador ou TV. Os alimentos devem ser naturais, sem quimiotóxicos, da mesma região e estação que nós vivemos. O alimento é um poderoso medicamento ou um poderoso veneno.

4.     O Ayurveda recomenda uma rotina equilibrada com 8 horas de descanso noturno (sono), 8 horas de trabalho ( excessos no trabalho são prejudiciais a nossa saúde) e 8 horas para outras atividades: alimentação, transporte, exercícios, higiene, meditação.

5.     Recomenda-se apenas alimentar-se quando estiver com fome, não deixar um intevalo muito grande entre as refeições, tomar café como um princípe, almoçar como um rei e jantar como um mendigo, ou seja, a refeição noturna é a mais leve de todas.

6.     Aconselha-se dormir cedo e acordar cedo: “ Deus ajuda quem cedo madruga”

7.     Auto-massagem regularmente com óleo de gergelim (friorentos) ou coco (calorentos)

8.     Devemos dividir nosso estômago em 4 partes: 2/4 ou metade de comida, ¼ de líquidos ( evite gelados) e ¼ vazio, saímos da mesa com um pequeno espaço no estômago.

9.     Para perder peso evite carboidratos após as 18:00 h. e beba água antes das refeições.

10.   Para evitar ansiedade e dificuldade no sono procure ter uma rotina organizada e regular, evite cafeína após as 14:00 h. e busque técnicas de relaxamento a noite.

11.   Lembre-se que excesso de TV, computador e celular são pejudiciais a saúde pois geram radicais livres que acumulam no corpo e promovem doenças.

12.   Procure fazer atividades ao ar livre, ler bons livros e praticar atividades físicas. Lembre-se que o melhor exercício é aquele que fazemos com regularidade e orientação.

13.   A prática da meditação é recomendada a todos. Semelhante as grandes conquistas necessita de regularidade, persistência e paciência. Apresenta efeitos benéficos nos seguintes distúrbios: estresse,ansiedade, depressão, fadiga, insônia, HAS, doenças psicossomáticas, dor crônica, obesidade, reduz o colesterol  e melhora a imunidade.

14.   A busca do autoconhecimento é importante para desenvolvermos nosso potencial latente.  Dedique alguns minutos, diáriamente, ao silêncio e introspecção.

15.   Indicamos uma literatura complementar ao tratamento:

1.     Autobiografia de um Iogue de Paramahansa Yogananda

2.     A Eterna Busca do Homem de Paramahansa Yogananda

3.     Meditação para Leigos de Stephan Bodian

4.     Anticâncer de David Sevan-Schreiber

5.     Cozinha Vegetariana de Caroline Bergerot

6.     Saúde Perfeita de Deepak Chopra

7.     A Ciência de Ser Feliz de Susan Andrews

 

A palavra  “hormônio” vem do grego e literalmente quer dizer “colocar em movimento”. Eles são secretados em uma região do corpo e viajam para atuar em outras áreas da nossa fisiologia. São divididos em 2 grupos: aqueles que são formados por aminoácidos ou peptídeos (como adrenalina, dopamina e serotonina), estes demonstram o relacionamento entre o sistema endócrino e os neurotransmissores e aqueles outros constituídos por esteroides ( como estrogênio, cortisol, progesterona e testosterona), são sintetizados a partir do colesterol ( sem colesterol não produzimos hormônios esteroides). Os hormônios exercem seus efeitos interagindo com receptores na superfície celular ou dentro da célula. Os distúrbios endócrinos resultam do excesso ou deficiência de efeitos hormonais.

Na visão oriental podemos classificar os hormônios em 2 tipos principais: os hormônios Yang ( quentes ou masculinos), aqueles do estresse (adrenalina e cortisol) e os hormônios Yin ( frios ou femininos), os chamados hormônios sexuais (estrogênio e progesterona) que são a raiz da saúde na mulher.  O equilíbrio hormonal é o fundamento essencial da nossa harmonia física, mental, emocional e social. Muitas mazelas modernas estão associadas á falta deste equilíbrio como: estresse emocional, alterações menstruais, distúrbios da menopausa, hipotireoidismo, insônia, fadiga e até depressão.

A sociedade no século XXI tornou-se muito Yang ( masculina ou quente), ou seja: rápida, acelerada, imediatista, agressiva e impaciente, todas qualidades masculinas. A energia Yin ( fria e feminina) aquela que promove mais calma, tranquilidade, paciência, tolerância e gentileza tornou-se algo raro e escasso. Estima-se que nos últimos 50 anos o estresse aumentou em 50% ou mais nas grandes cidades. Colocando de outra forma: o planeta tornou-se mais Yang ( energia masculina ) e menos Yin ( energia feminina), esta constatação aponta para um grande desarmonia na nossa energia vital, chamada prana pelos indianos. Observamos que as mulheres, por serem mais sensíveis, sofrem mais com este desequilíbrio do que os homens.  É comum escutarmos nossas avós afirmando que não tiveram problemas de TPM ou na menopausa pois o mundo delas, no século XX, era bem diferente do nosso.

O Ayurveda apresenta uma proposta para o nosso reequilíbrio hormonal através das suas diversas ferramentas terapêuticas naturais: dieta individualizada, plantas medicinais, atividade física adequada a nossa desarmonia, rotina diária de hábitos saudáveis, desintoxicação ( eliminação de toxinas acumuladas), massoterapia com óleos vegetais e prática de Yoga e meditação com orientação de profissional experiente. O fundamento desta filosofia médica indiana é o autoconhecimento que é o caminho para a sabedoria que promove integração e harmonia física, psicoemocional e espiritual.

 

Apesar da utilização milenar das plantas medicinais a história dos adaptógenos inicia-se na antiga União Soviética em 1943 com o decreto que tratava do trabalho de investigação cientifica com o objetivo de encontrar substancias tônicas para os soldados na segunda guerra mundial. O decreto estimulou a produção de muitas pesquisas, que não foram divulgadas, durante a guerra fria entre 1945 a 1991. Neste período várias plantas medicinais foram avaliadas no sentido de reduzir os danos causados pelo estresse á saúde e também empregadas com a finalidade de promover a cognição, o condicionamento físico de atletas e soldados, além do desempenho dos astronautas no programa aeroespacial russo. Infelizmente os resultados, destas relevantes pesquisas, foram mantidos em segredo devido a sua importância estratégica.

A definição mais recente vem de 2007 através da Agencia Reguladora da Comunidade Européia por intermédio do seu Comitee on Herbal Medicine Products: “As plantas medicinais adaptógenas estão indicadas por terem a capacidade de normalizar as funções do corpo e fortalecer os sistemas comprometidos pelo estresse. São relatados efeitos protetores sobre a saúde contra uma grande variedade de agressões ambientais e condições emocionais”. Em uma visão mais clínica os adaptógenos auxiliam o nosso organismo a se adaptar as situações de estresse emocional, fadiga mental, nervosismo, dificuldade de raciocínio e concentração,promovem o equilíbrio dos sistemas imunológico e endócrino, são tônicos psicofísico, além de apresentarem uma importante ação antioxidante ao combaterem radicais livres.

Na literatura internacional encontramos várias plantas medicinais com ação adaptógena: Rhodiola rósea ou raiz dourada da Sibéria, Schisandra chinenses ou magnólia chinesa, Eleutherococus senticosus ou ginseng siberiano, Panax ginseng ou ginseng coreano, Panax quinquefólio ou ginseng americano, Withania somnifera ou ashwagandha e Ocimum sanctum ou tulsi ( ambas são utilizadas regularmente no Ayurveda). O Brasil, com sua biodiversidade incomparável, apresenta algumas ervas que possuem propriedades adaptógenas: Paulinia cupana ou guaraná, Ptycopetalum olacoides ou marapuama, Anemopaegama arvensia ou catuaba, Pfaffia paniculata ou pfafia ( ginseng brasileiro), Theobroma cacao ou cacau, Ilex paraguaiensis ou mate e Heteropteris afrodisíaca ou nó de cachorro.

Nós temos utilizado as plantas medicinais adaptógenas há muitos anos e observamos uma boa segurança dentro das doses terapêuticas indicadas na literatura. No Ayurveda o adaptógeno mais utilizado é a Withania somnifera ou ashwagandha, erva com fantásticas propriedades terapêuticas: tônico psicofísico, afrodisíaco, calmante, sedativo, antioxidante, anti-inflamatório, antiestresse, rejuvenescedor do sistema nervoso, imuno-modulador ( fortalece o sistema imunológico) e promove um sono profundo e reparador. O ocidente ainda subutiliza as plantas medicinais devido, principalmente, ao desconhecimento dos profissionais da área de saúde das pesquisas orientais e ocidentais sobre os fitoterápicos. A farmacologia ayurvedica ou dravya guna apresenta um enorme conhecimento das ervas medicinais, segundo a sabedoria milenar tradicional do Ayurveda, que deveria ser seriamente estudado pelos profissionais que têm verdadeiro interesse em melhorar a saúde das pessoas sem os deletérios efeitos das drogas alopáticas.